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Confrontos em Uvira seguem após promessa de retirada do M23 no leste da RD Congo

Grupo armado e milicianos pró-governo trocaram tiros na cidade estratégica; exército congolês acusa grupo de realizar um "golpe midiático" para enganar a opinião pública
Uma viatura do movimento M23 faz patrulha em Uvira, em 13 de dezembro de 2025.

Uma viatura do movimento M23 faz patrulha em Uvira, em 13 de dezembro de 2025.

— Jospin Mwisha/AFP

22 de dezembro de 2025

Confrontos armados foram registrados nesta segunda-feira (22) em Uvira, no leste da República Democrática do Congo (RDC), dias depois do  grupo armado M23 anunciar que retiraria seus combatentes da cidade. Moradores relataram trocas de tiros entre integrantes do M23 e milícias Wazalendo, alinhadas ao governo congolês, em diferentes pontos do município e em áreas próximas. Os disparos levaram parte da população a permanecer dentro de casa e interromperam atividades comerciais e escolares.

Uvira foi ocupada pelo M23 no início de dezembro, após avanços militares do grupo na província de Kivu do Sul. A promessa de retirada foi anunciada por Corneille Nangaa, dirigente do braço político do M23, que afirmou que a decisão atendeu a um pedido feito por mediadores dos Estados Unidos, um dos principais países interessados nos minérios estratégicos congoleses.

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O anúncio ocorreu após a assinatura de um acordo entre os governos da RDC e de Ruanda, no dia 4 de dezembro, mediado por Washington, que previa medidas para reduzir as hostilidades na região.

Apesar da declaração pública, moradores e representantes da sociedade civil afirmaram que combatentes do M23 permaneceram em Uvira, muitos sem uniforme, o que dificultou a identificação. Relatos indicaram confrontos em colinas ao redor da cidade e em bairros ao sul e ao sudoeste, incluindo áreas próximas ao porto de Kalundu, às margens do lago Tanganica. Testemunhas mencionaram explosões e disparos em zonas residenciais, além da redução da circulação de pessoas.

Contestação do governo e tensão diplomática

As Forças Armadas da RDC questionaram a retirada anunciada pelo M23. Em comunicado, o exército afirmou que o grupo apenas reposicionou seus combatentes para áreas elevadas próximas à cidade, o que indicaria a manutenção de sua presença militar e capacidade de ataque. Para o governo congolês, a medida não representa uma saída efetiva, mas uma reorganização estratégica.

Autoridades congolesas sustentam que o anúncio de retirada teve como objetivo reduzir a pressão internacional e criar a percepção de cumprimento do acordo mediado pelos Estados Unidos. O governo afirma que a situação no terreno demonstra que o controle armado ainda persiste e que o cessar-fogo segue frágil.

Os confrontos em Uvira ocorrem em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre a RD Congo e Ruanda. O governo congolês, assim como os relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU), acusa Ruanda de apoiar o M23, acusação negada por Kigali. 


Após o acordo firmado no início de dezembro, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que Ruanda violou compromissos assumidos no entendimento mediado por Washington e afirmou que o governo norte-americano avalia medidas diante do descumprimento.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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