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Eleições em Uganda terminam após corte de internet, atrasos e tensões com a oposição

Sob expectativa de vitória de Museveni para um sétimo mandato, oposição acusa governo de fraude e corte de conexão para facilitar manipulação
Um assistente de votação da Comissão Eleitoral de Uganda conta os votos após o encerramento da votação em um terreno público usado como seção eleitoral em Kampala, em 15 de janeiro de 2026, durante as eleições gerais de Uganda de 2026.

Um assistente de votação da Comissão Eleitoral de Uganda conta os votos após o encerramento da votação em um terreno público usado como seção eleitoral em Kampala, em 15 de janeiro de 2026, durante as eleições gerais de Uganda de 2026.

— Luis Tato/AFP

15 de janeiro de 2026

As urnas fecharam nesta quinta-feira (15) em Uganda após  um processo eleitoral que ocorreu sob apagão da internet e atrasos causados por falhas técnicas. O presidente ugandês, Yoweri Museveni, busca estender seus 40 anos no poder.

Museveni, de 81 anos, que chegou ao poder à frente de um exército rebelde em 1986, é amplamente apontado como favorito para um sétimo mandato. O resultado se deve ao seu controle total sobre o Estado e o aparato de segurança.

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Apesar disso, em um estádio de Kampala, reduto da oposição, houve comemorações, segundo informações da agência francesa de notícias AFP. Uma multidão acompanhou a contagem de votos e os mesários leram as cédulas do principal desafiante, o cantor e político Bobi Wine.

Bobi Wine, de 43 anos, que se intitula “presidente do gueto” em referência às áreas pobres onde cresceu, acusou o governo de “fraude eleitoral em massa”. Ele afirmou que agentes de seu partido foram presos sob a cobertura do apagão de internet decretado pelo governo nesta semana.

“Estamos realizando eleições no escuro”, disse Wine após votar. “Isso é feito para facilitar a fraude planejada pelo regime”, completou. O candidato pediu que a população de Uganda resista.

Grupos de direitos humanos descreveram a campanha de Wine como alvo de “repressão brutal“. Na reta final das eleições, centenas de seus apoiadores foram detidos. Wine usou colete à prova de balas em comícios e definiu a eleição como uma “guerra”, chamando Museveni de “ditador militar”.

Problemas técnicos e presença militar

Em muitas seções eleitorais, a votação teve atrasos de várias horas. As falhas ocorreram com a chegada lenta das urnas e com máquinas biométricas, usadas para verificar a identidade dos eleitores. Alguns atribuíram os problemas ao bloqueio da internet.

O próprio Museveni relatou dificuldades com os equipamentos. “Coloquei minha impressão digital direita […] a máquina não aceitou. Coloquei a esquerda, também não aceitou”, disse a jornalistas. Ele afirmou que a máquina só aceitou o escaneamento de seu rosto, o que permitiu seu voto.

Apesar das tensões, o processo transcorreu sem violência substancial, segundo um porta-voz da Cruz Vermelha ugandense. Houve, no entanto, forte presença de polícia e exército durante todo o dia. As autoridades demonstraram determinação para evitar protestos contra o governo, como os registrados recentemente no Quênia e na Tanzânia.

Apoio da população

O governo justificou o corte da internet como necessário para evitar a disseminação de “desinformação” e “incitação à violência”. A Organização das Nações Unidas (ONU) considerou a medida “profundamente preocupante”. Na semana da eleição, o governo suspendeu dez organizações não governamentais, incluindo observadores eleitorais, o que a Human Rights Watch denunciou.

Muitos ugandenses ainda atribuem a Museveni o fim do caos pós-independência e o rápido crescimento econômico do país, mesmo com a ocorrência de escândalos de corrupção.

Museveni permanece no poder há quatro décadas, período marcado por estabilidade institucional após conflitos do pós-independência, além de crescimento econômico e denúncias recorrentes de corrupção. O presidente mantém relações estratégicas com países ocidentais desde a implementação de reformas econômicas nos anos 1980 e pela atuação militar regional, especialmente na Somália.

Museveni afirmou que seu voto, quando finalmente registrado, foi para quem “acredita em Uganda […] e acredita na África”. Os resultados oficiais devem ser divulgados em até 48 horas.

Um país recentemente independente 

Uganda está localizado na África Centro-Oriental, a oeste do Quênia e a leste da República Democrática do Congo, e faz fronteira ainda com Ruanda, Sudão do Sul e Tanzânia. O país foi declarado colonizado pela coroa britânica em 1894 e conquistou a independência em 1962. 

Possui uma população superior a 45 milhões de habitantes, com alta densidade demográfica em comparação a outros países africanos, concentrada sobretudo nas regiões central e sul, próximas aos lagos Vitória e Alberto. O país abriga cerca de 65 grupos étnicos, entre eles Baganda, Banyankole, Basoga, Bakiga e Iteso, e tem como idiomas oficiais o inglês e o suaíli, além de línguas nacionais como o luganda. 

A composição religiosa inclui majoritariamente cristãos, com predominância de protestantes e católicos, além de uma população muçulmana relevante. A economia é baseada principalmente na agricultura, apesar da presença de recursos naturais como cobre, cobalto, ouro, sal, calcário e potencial hidrelétrico. O país não figura entre os mais ricos do continente, mas exerce papel regional relevante na África Oriental.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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