PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Uganda enfrenta acusações de repressão a opositores às vésperas das eleições

Anistia Internacional denuncia prisões arbitrárias, tortura e restrições a direitos políticos antes da votação marcada para 15 de janeiro
Apoiantes do candidato presidencial da Plataforma de Unidade Nacional (NPU) e líder da oposição Robert Kyagulanyi, também conhecido como Bobi Wine, correm para se proteger do gás lacrimogêneo disparado por agentes da polícia ugandesa durante uma operação de dispersão após o comício da sua campanha presidencial em Kampala, em 24 de novembro de 2025.

Apoiantes do candidato presidencial da Plataforma de Unidade Nacional (NPU) e líder da oposição Robert Kyagulanyi, também conhecido como Bobi Wine, correm para se proteger do gás lacrimogêneo disparado por agentes da polícia ugandesa durante uma operação de dispersão após o comício da sua campanha presidencial em Kampala, em 24 de novembro de 2025.

— Badru Katumba/AFP

5 de janeiro de 2026

Um relatório divulgado pela Anistia Internacional, nesta segunda-feira (5), aponta que forças de segurança de Uganda intensificaram ações de repressão contra a oposição política às vésperas das eleições presidenciais e parlamentares marcadas para o dia 15 deste mês. Segundo a organização, práticas como tortura, detenções arbitrárias e uso excessivo da força têm sido empregadas para intimidar adversários do governo e restringir direitos civis.

O documento afirma que o contexto eleitoral ocorre sob o comando do presidente Yoweri Museveni, de 81 anos, no poder há quatro décadas, que busca ampliar sua permanência no cargo. De acordo com a Anistia, o atual processo eleitoral repete padrões observados em pleitos anteriores, com denúncias de violência estatal e irregularidades.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A ONG global de direitos humanos relata que reuniu evidências de agressões físicas e uso de gás lacrimogêneo por agentes de segurança contra apoiadores do partido National Unity Platform (NUP), liderado por Bobi Wine, cantor que ingressou na política e foi candidato também nas eleições de 2021. 

Segundo Tigere Chagutah, diretor regional da Anistia para o leste e sul da África, as autoridades lançaram uma campanha de repressão que dificulta o exercício das liberdades de associação e de reunião pacífica. O relatório menciona a morte de um apoiador do NUP durante um comício em 28 de novembro.

A polícia afirmou que atuou para dispersar uma multidão considerada violenta. No entanto, familiares da vítima relataram à Anistia que foram impedidos de acompanhar o exame post-mortem e não receberam certidão de óbito.

Prisões e denúncias de tortura

De acordo com o levantamento da Anistia, cerca de 400 pessoas foram presas nos últimos meses sob acusações como dano malicioso à propriedade e incitação à violência, em razão de apoio ao NUP. O relatório inclui depoimentos de entrevistados que relataram espancamentos com cassetetes, uso de spray de pimenta diretamente na boca e aplicação de armas de choque elétrico.

Um dos entrevistados descreveu à organização que foi retirado à força de um veículo durante um comício na capital, Kampala, após o início da dispersão policial. A Anistia afirma que os relatos indicam um padrão de uso da violência como forma de intimidação política.

O relatório também registra receios de que o governo volte a suspender o acesso à internet durante o período eleitoral, como ocorreu em 2021. À época, o bloqueio foi apontado como uma estratégia para dificultar a divulgação de denúncias de manipulação do voto e de violência.


A secretária permanente do Ministério da Informação e Comunicação, Aminah Zawedde, declarou que o governo não anunciou nem implementou nenhuma decisão para interromper a internet durante as eleições. Em nota, afirmou que a transmissão ou difusão de tumultos, procissões consideradas ilegais ou incidentes violentos é proibida.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano