Na terça-feira (30), milhares de pessoas saíram às ruas de várias cidades da Somália em protestos contra o recente anúncio do reconhecimento da independência da Somalilândia por Israel.
Milhares de manifestantes marcharam pelas ruas da capital somali, Mogadíscio, agitando cartazes com slogans anti-Israel ao lado de bandeiras da Somália e da Palestina. Segundo a agência francesa AFP, manifestações também foram registradas em Lascanod, no nordeste somali, Guriceel, no centro do país, e Baidoa, no sudoeste.
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Na sexta-feira (26), o governo israelense se tornou o primeiro a reconhecer a Somalilândia, território localizado na região norte da Somália que declarou independência em 1991. A medida gerou protestos de diversos países africanos e árabes e muçulmanos.
A União Africana emitiu um comunicado contrário à medida israelense alertando que a ação estabelece um “precedente perigoso”. Na segunda-feira (29), a medida também foi criticada por diversos países no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), apesar de receber apoio dos EUA — que não reconhecem a Somalilândia.
O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, condenou a medida israelense como uma ameaça à estabilidade no Chifre da África — região no leste africano onde está localizado o país. Mohamud viajou na terça-feira (30) para a Turquia, um aliado próximo, para discutir a situação. Djibuti e Egito também se posicionaram contra o anúncio.

Localizada no norte do país, a Somalilândia tem cerca de seis milhões de habitantes, além de moeda, passaporte e exército próprios. Como parte da Somália, está localizada em uma região estratégica no Golfo de Áden, o que a torna uma parceira comercial e militar atraente para aliados regionais e internacionais.
A Somália tem uma população estimada de cerca de 13 milhões de pessoas e tem religião predominantemente muçulmana. O país foi unificado em 1960, conquistando sua independência da Itália — no sul do país — e do Reino Unido — no norte.