Cerca de 100 peças de arte compradas de artistas locais pelo etnólogo alemão Hans Himmelheber entre as décadas de 1930 e 1970, assim como 15 mil fotografias e uma dúzia de filmes, foram devolvidas à Costa dos Marfim.
As obras, dos povos Senufo, Dan, Baoule e Guro, bem como objetos do cotidiano, estão agora em exposição nas cidades de Abidjã e Man. As obras como máscaras, esculturas de tartarugas e colheres cerimoniais, antes exibidas no Museu de Zurique, na Suíça, agora estão no arquivo Himmelheber no Museu Adama Toungara, na capital econômica marfinense, Abidjã.
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Em cartaz até 8 de março, a exposição refaz as jornadas realizadas pelo pesquisador, falecido em 2003. A mostra também apresenta 24 dos 107 objetos devolvidos, ao lado de milhares de fotos digitalizadas e filmes rodados por Himmelheber.
A devolução de artefatos culturais retirados de ex-colônias na África e em outros lugares tem se tornado uma questão sensível, com museus, instituições e colecionadores na Europa e nos Estados Unidos enfrentando pressão para devolvê-los.
Apesar de que devoluções do patrimônio cultural africano estejam aumentando, especialistas dizem que a retomada de objetos ainda permanece algo raro. “Esta doação é fundamental para diversificar nossas coleções”, disse à agência francesa AFP Francis Tagro, diretor do Museu das Civilizações de Abidjã, previsto para reabrir este ano após reformas.
Acordo de restituição
Em 2025, a Suíça e a Costa do Marfim assinaram um acordo sobre a restituição de bens culturais. Além da restituição, foram financiados projetos de pesquisa e oficinas. As fotos e os filmes de Himmelheber foram exibidos em 16 aldeias Dan que ele frequentemente visitava.
A Costa do Marfim aguarda agora o retorno do “tambor falante” Djidji Ayokwe, que as tropas coloniais francesas levaram em 1916. Sua devolução foi aprovada pelo parlamento francês em julho.