PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Diálogo para acabar com a escala 6×1 avança em setores do Congresso, revela Boulos

Em entrevista, chefe da Secretaria-Geral da Presidência defende jornada máxima de 5x2 e cita exemplos internacionais onde redução de horas elevou a produtividade
Imagem de um homem negro em regime de trabalho. Segundo a consultora em relações étnico-raciais e gênero, Tainara Ferreira, a exploração da jornada de trabalho 6x1 afeta, principalmente, a população negra.

Imagem de um homem negro em regime de trabalho. Segundo a consultora em relações étnico-raciais e gênero, Tainara Ferreira, a exploração da jornada de trabalho 6x1 afeta, principalmente, a população negra.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

21 de janeiro de 2026

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL-SP), afirmou nesta quarta-feira (21) que o debate para o fim da escala de trabalho 6×1 avança no Congresso Nacional. A mudança, que prevê o fim do regime de um dia de descanso a cada seis trabalhados, é uma das prioridades do governo para 2026. A declaração foi dada durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”, que reúne veículos de comunicação de todo o país.

“Está avançando muito bem o diálogo com os setores do Congresso”, disse Boulos durante a entrevista. Ele citou uma reunião na semana passada com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Luiz Marinho. “Há um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre o fim da escala e consiga dar essa resposta aos trabalhadores”, completou.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O ministro detalhou a proposta que o governo federal elabora. “A proposta que estamos construindo, defendida pelo presidente Lula e pelo nosso governo, é de, no máximo, de 5×2, 40 horas semanais”, explicou Boulos. Atualmente, a Constituição estabelece o limite de 44 horas semanais. A ideia é reduzir esse tempo, mas sem corte nos salários.

“Hoje, o máximo é 44 horas semanais e queremos reduzir para 40, sem redução de salário. Esta é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma questão de dignidade dos trabalhadores“, reforçou.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, participa do programa “Bom Dia, Ministro”. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Fim da escala 6×1 tende a melhorar produtividade e qualidade de vida

Boulos rejeitou o argumento de que a redução da jornada levaria a uma queda na produtividade. Ele apresentou uma série de exemplos internacionais para contrapor essa visão.

“A Islândia, em 2023, reduziu para 35 horas, com jornada 4×3 e a economia cresceu 5% e a produtividade do trabalho aumentou 1,5%”, citou. O ministro também mencionou os Estados Unidos, onde “houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos três anos” e um aumento de 2% na produtividade. Outro caso citado foi o da Microsoft no Japão, onde a adoção de uma semana de quatro dias elevou a produtividade individual em 40%.

Ele também trouxe dados nacionais. “No Brasil, houve um estudo da Fundação Getúlio Vargas, em 2024, envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho”, relatou. Segundo Boulos, o estudo apontou que 72% dessas empresas tiveram aumento de receita e 44% registraram melhora no cumprimento de prazos.

O ministro criticou o desgaste físico e emocional provocado pela escala 6×1, que reduz o convívio familiar. “Uma coisa é você trabalhar para poder viver. Todo mundo precisa. Só bilionário herdeiro que não. Outra coisa é você viver para trabalhar“, argumentou Boulos.

Ele destacou que a falta de tempo impede que trabalhadores cuidem da família ou busquem qualificação profissional. “Quando o trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor”, defendeu.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano