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Povos indígenas pressionam governo por Comissão Nacional da Verdade

Encontro em Brasília reúne lideranças indígenas, pesquisadores e organizações para cobrar a assinatura do decreto presidencial e apresentar pesquisas inéditas sobre violações contra povos indígenas durante a ditadura militar
Lideranças Guarani-Kaiowá em protesto na Universidade Federal da Grande Dourados (MS).

Lideranças Guarani-Kaiowá em protesto na Universidade Federal da Grande Dourados (MS).

— Reprodução/Memórias da Ditadura

23 de julho de 2026

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), o Instituto de Políticas Relacionais (IPR) e o Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas da Universidade de Brasília (Obind/UnB) realizam, até esta quinta-feira  (23), em Brasília, um encontro para pressionar o governo federal a assinar o decreto que cria a Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV).

A proposta busca ampliar as iniciativas de memória, verdade, justiça, reparação e garantias de não repetição das violações cometidas contra os povos indígenas, especialmente durante a ditadura militar. 

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A programação reúne representantes do movimento indígena, pesquisadores, vítimas, organizações da sociedade civil e integrantes do Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas.

Segundo as organizações, a minuta do decreto presidencial foi entregue ao Executivo no fim de 2025 e já recebeu o apoio formal de 58 instituições, além de pareceres favoráveis de órgãos e especialistas, entre eles o jurista Daniel Sarmento, a Defensoria Pública da União (DPU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Como parte da iniciativa de Justiça de Transição para Povos Indígenas, será apresentada ainda uma plataforma construída em parceria com o Armazém Memória, que reuniu um acervo de cerca de 3 milhões de documentos digitalizados relacionados às violações sofridas pelos povos indígenas.

De acordo com as organizações responsáveis pelo projeto, todo o material produzido durante a pesquisa, incluindo gravações, vídeos, transcrições e documentos, será devolvido às comunidades envolvidas. 

A medida busca fortalecer a preservação da memória coletiva e garantir que os próprios povos indígenas mantenham a guarda de seus registros históricos.

Leia mais: Brasil reconhece violações contra estudante e indígenas vítimas da ditadura militar

Relatórios revelam violações em territórios indígenas

Um dos destaques do encontro é a apresentação de oito relatórios produzidos por pesquisadores indígenas sobre violações de direitos humanos ocorridas em diferentes territórios do país. 

As pesquisas contam com depoimentos de vítimas e reúnem registros de casos de tortura, trabalho forçado, deslocamentos compulsórios e outras formas de violência.

Entre os estudos está a investigação sobre a Terra Indígena Mangueirinha, no Paraná. O relatório aponta que áreas administradas pelo antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e posteriormente pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) funcionaram, ao longo do século XX e durante a ditadura militar, como centros de detenção ilegal, trabalho forçado e tortura contra indígenas Guarani, com o uso recorrente do chamado “tronco”.

Outro levantamento aborda os impactos da expansão do monocultivo de eucalipto sobre os povos Tupiniquim e Guarani. Segundo a pesquisa, o processo foi marcado por expulsões de comunidades e práticas de racismo institucional.

Livro e documentário integram programação

Durante o encontro, as organizações também lançarão o livro “Povos Indígenas e Justiça de Transição: Registros de Memórias que Denunciam Violências”, resultado de sete anos de pesquisas sobre violações cometidas contra povos indígenas.

A publicação reúne investigações e relatos de vítimas sobre crimes como tortura, genocídio e deslocamentos forçados em oito territórios do país.

Também está prevista a exibição do minidocumentário “Caminhos para uma Metodologia de Escuta Ancestral”, que registra o processo de coleta de depoimentos conduzido por pesquisadores indígenas diretamente em suas comunidades.

Leia mais: MPT defende reparação de empresas por violação a indígenas na ditadura

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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