O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) apresentou a TV Sem Terra durante seu Encontro Nacional, que se encerra nesta sexta-feira (23). A nova plataforma tem a função estratégica de conectar as famílias em acampamentos por todo o país aos debates do evento, que reuniu cerca de três mil delegados. O canal também busca dialogar com organizações populares, militantes e a classe trabalhadora.
A programação reflete as frentes centrais do movimento, com conteúdos que abordam o internacionalismo, o enfrentamento ao imperialismo, a Reforma Agrária Popular, a memória histórica do audiovisual do MST e a dimensão cultural da luta. A iniciativa reafirma a posição do movimento de que a terra produz alimentos, mas também cultura, identidade e consciência.
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A criação da TV Sem Terra é descrita pelo movimento como fruto de um processo histórico. De acordo com o movimento, desde sua origem, o MST compreendeu que a disputa pela terra inclui uma disputa de ideias. Diante do que classifica como um cerco midiático e um silenciamento histórico imposto aos camponeses, a comunicação se consolidou como uma ferramenta central de organização e formação política.
O coordenador de comunicação do MST, Janelson Ferreira, afirma que a comunicação surge como uma resposta direta a esse cenário de exclusão. “A comunicação é uma frente de luta. Ela não é neutra, porque é fruto das relações sociais de produção e, ao assumir um lado, busca elevar o nível de consciência para a organização”, explica em nota do movimento.
Comunicação como frente de disputa política
Ao longo dos anos, o movimento construiu instrumentos como o Jornal Sem Terra, rádios comunitárias e produção para redes sociais. Cada ferramenta cumpre funções específicas e dialoga com públicos distintos. No centro desse processo está a compreensão de que informar, para o MST, não é apenas transmitir fatos, mas também formar politicamente.
O MST reconhece as contradições de transmitir seus conteúdos por meio de plataformas de grandes empresas de tecnologia, como o YouTube. Ainda assim, o movimento segue com a aposta na comunicação como um espaço de disputa política, sem abandonar o objetivo de construir ferramentas próprias.
A TV Sem Terra representa para o movimento, nesse contexto, uma síntese da experiência comunicacional do movimento. Ela articula a linguagem audiovisual com o compromisso político de, segundo o coordenador, não reproduzir a lógica da sociedade do espetáculo.
Texto com informações da reportagem original publicada por Camilla Sousa e Maria Leal no site do MST.