Cerca de três mil militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de todo o país iniciaram, nesta segunda-feira (19), o 14º Encontro Nacional do movimento social. O evento ocorre em Salvador e deve se estender por cinco dias. A última edição com esse nível de representação ocorreu em 2009, na cidade de Sarandi, no Rio Grande do Sul.
“Há 17 anos não realizávamos uma reunião desta instância”, destacou Evanildo Costa, da direção nacional do MST na Bahia, em nota do MST. Segundo ele, o encontro ganha relevância especial diante da conjuntura política e internacional atual. “Reunir toda essa militância demonstra a força acumulada ao longo da nossa história, mas também evidencia os desafios que temos pela frente”, afirmou.
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O Encontro Nacional é a segunda instância mais ampla do MST, atrás apenas do Congresso Nacional do Movimento. A pauta central do evento é a definição da estratégia política, com a discussão das normas gerais, da estrutura organizativa, da tática e do planejamento para o próximo período.
Debate sobre conjuntura internacional
A mesa de abertura foi dedicada à análise da geopolítica mundial e da conjuntura internacional. Participaram o jornalista Breno Altman e a militante da Articulação Internacional dos Povos, Stephanie Weatherbee.
No debate, ambos abordaram a crise da hegemonia dos EUA no sistema internacional. Breno Altman apontou a existência de uma contradição entre uma ordem unipolar liderada por Washington e o avanço de uma ordem multipolar em formação, associada ao crescimento econômico da China e ao fortalecimento do Estado russo.
Altman afirmou que a crise do imperialismo não implica retração automática de sua atuação externa. Segundo ele, o contexto favorece o aumento da violência política e militar, além do fortalecimento de movimentos fascistas em países centrais. Para o jornalista, esse processo afeta de forma direta a América Latina, região que os Estados Unidos buscam manter sob influência estratégica.
América Latina e mecanismos de influência
Stephanie Weatherbee analisou os instrumentos econômicos e políticos utilizados pelos Estados Unidos para manter influência sobre países latino-americanos. Ela destacou que a centralidade das relações comerciais permite formas de pressão que dependem da atuação de setores internos.
De acordo com a militante, grupos da extrema-direita e frações da burguesia local atuam como operadores desses interesses, ao priorizarem agendas alinhadas ao capital internacional. Weatherbee também apontou o papel de setores progressistas que, ao adotarem leituras liberais sobre processos revolucionários, contribuem para a legitimação de narrativas imperialistas.
Para ela, a superação da ordem unipolar exige a construção de uma ordem multipolar associada a projetos revolucionários no Sul Global. Segundo sua análise, a ausência de protagonismo político popular limita a capacidade de enfrentamento ao imperialismo.
Estratégia política e plano de ação
Ao longo dos cinco dias de atividades, o Encontro Nacional do MST deverá debater a atuação do capital na agricultura, a conjuntura econômica e política brasileira e o papel do Movimento como força política. Também constam da programação balanços sobre formação política, agroecologia, cooperação e agroindustrialização.
O Encontro também deve aprovar as normas gerais e o Programa Agrário do MST, além de definir a tática para o próximo período. Está previsto ainda o lançamento da Inteligência Artificial da Reforma Agrária e Agroecologia (IARAA), iniciativa voltada à sistematização de dados e apoio às ações do Movimento.
Texto com informaçõesdo MST.