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África do Sul anuncia retirada de tropas da missão de paz da ONU na RD Congo

Governo comunicou saída unilateral da MONUSCO após 27 anos de atuação; país está entre os dez maiores contribuintes de tropas para a missão
Soldados africanos de manutenção da paz, que servem na Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO), patrulham a área entre Mavivi e Muzambayi, em 2018.

Soldados africanos de manutenção da paz, que servem na Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO), patrulham a área entre Mavivi e Muzambayi, em 2018.

— UN Photo/Michael Ali

9 de fevereiro de 2026

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, informou ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, a decisão de retirar o contingente militar do país da Missão das Nações Unidas para a Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO). O país figura entre os dez maiores contribuintes de tropas para a operação de paz, com mais de 700 soldados em solo congolês.

A decisão unilateral foi comunicada em uma conversa telefônica entre os líderes em 12 de janeiro de 2026. O governo sul-africano justificou a medida com a necessidade de consolidar e realinhar os recursos das suas Forças de Defesa Nacionais. A retirada encerra um período de 27 anos de apoio contínuo do país às operações de paz da ONU no território congolês.

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A MONUSCO reagiu ao anúncio com um comunicado oficial neste domingo (8). A missão expressou sua “profunda gratidão” ao governo e ao povo sul-africano pelo “compromisso firme” com a manutenção da paz da ONU ao longo de décadas. O texto também homenageou os soldados sul-africanos que morreram a serviço da paz na RDC sob a bandeira das Nações Unidas.

Processo de retirada e futuro do engajamento

A retirada das tropas será um processo coordenado. A África do Sul trabalhará em conjunto com o Secretariado da ONU para definir os prazos e as modalidades da operação. O governo sul-africano estabeleceu que a saída total de seus militares deve ocorrer antes do fim do ano de 2026. 

A MONUSCO afirmou que cooperará com as partes relevantes para garantir que a transição seja administrada de forma segura, ordenada e responsável, em conformidade com os padrões das Nações Unidas.

O comunicado da missão também indicou a intenção de manter o diálogo com a África do Sul sobre questões mais amplas de manutenção da paz, como o compartilhamento de lições aprendidas. O presidente Ramaphosa, por sua vez, reafirmou o compromisso do país com a estabilidade do Congo por outras vias. 

O governo sul-africano declarou que manterá relações bilaterais próximas com o governo congolês e continuará a apoiar os esforços multilaterais da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da União Africana (UA) e da própria ONU para alcançar uma paz duradoura na região.

A MONUSCO foi estabelecida pelo Conselho de Segurança da ONU em 1999. A missão surgiu para apoiar o Acordo de Cessar-Fogo de Lusaka e, com o prolongamento do conflito, seu mandato evoluiu. 

Atualmente, a operação tem a tarefa de proteger civis, pessoal humanitário e defensores de direitos humanos sob ameaça iminente de violência, além de apoiar os esforços de estabilização e consolidação da paz do governo congolês.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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