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União Africana diz que ataque de drone do M23 a aeroporto na RDC pode configurar ‘terrorismo’

Ofensiva do grupo armado contra aeroporto civil em Kisangani marca escalada no conflito e viola leis humanitárias, afirma organização continental
Soldado do grupo M23 nas minas de Coltan em Rubaya, em 5 de março de 2025.

Soldado do grupo M23 nas minas de Coltan em Rubaya, em 5 de março de 2025.

— Camille Laffont/AFP

6 de fevereiro de 2026

A União Africana (AU) afirmou nesta sexta-feira (6) que o ataque com drone realizado pelo grupo armado M23 contra um aeroporto civil na República Democrática do Congo (RDC) pode ser considerado um “ato de terrorismo”. O ataque ocorreu no último final de semana no aeroporto de Kisangani, no leste do país, uma infraestrutura também usada por forças governamentais.

Em declaração, a União Africana disse que o “ataque, dirigido contra uma infraestrutura aeroportuária localizada em um grande centro urbano e que coloca gravemente em perigo populações civis, constitui uma violação grave do direito internacional humanitário”. A organização acrescentou que “este ataque pode equivaler a um ato de terrorismo”.

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O grupo M23, que recebe suporte de Ruanda segundo acusações do governo congolês e da Organização das Nações Unidas (ONU), assumiu a responsabilidade pelo ataque. O porta-voz dos rebeldes, Lawrence Kanyuka, disse em um comunicado em seu perfil nas redes sociais que a Aliança do Rio Congo (AFC), coalizão que inclui o M23, destruiu “um centro de comando de drones militares instalado no aeroporto de Kisangani”.

As autoridades provinciais de Tshopo, onde fica Kisangani, culparam Ruanda e a coalizão rebelde pelo ataque, que qualificaram como uma “agressão bárbara, injusta e persistente”. O exército congolês afirmou que neutralizou oito drones kamikaze que tinham o aeroporto como alvo, o que impediu danos maiores à instalação.

Escalada do conflito e contexto regional

O grupo M23 capturou grandes extensões de território desde o início de 2025, incluindo as capitais provinciais de Goma e Bukavu. Esta foi a primeira vez que o grupo realizou um ataque a uma distância tão grande do território sob seu controle.

A expansão das hostilidades para cidades distantes das linhas de frente preocupa a União Africana. A organização alertou que este movimento “constitui um fator maior de escalada e apresenta riscos inaceitáveis para a estabilidade nacional e regional”.

Várias iniciativas de paz estão em curso. O Catar media negociações entre o governo congolês e o M23 há vários meses. Um compromisso rumo a um cessar-fogo foi assinado em julho. Nesta semana, as partes assinaram um acordo sobre os termos de referência para monitorar o cessar-fogo após conversas em Doha.

Em um esforço paralelo, a RDC e Ruanda formalizaram um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos em dezembro, em Washington. A ONU informou que enviará em breve uma missão à região volátil para ajudar a fazer cumprir o cessar-fogo.

Apelo da União Africana por uma solução política

A União Africana fez um apelo direto ao grupo rebelde. A organização pediu que o M23 “cesse imediatamente todas as hostilidades, renuncie ao uso de meios e métodos indiscriminados de guerra e cumpra estritamente os compromissos assumidos no quadro dos esforços de paz em curso”.


A organização também instou todas as partes a implementarem “sem demora e de boa fé” o Acordo de Doha, que considera uma “base essencial para um cessar-fogo efetivo, uma desescalada duradoura e um retorno ao diálogo político”. A União Africana reafirmou seu “compromisso inabalável com a soberania, unidade e integridade territorial da República Democrática do Congo”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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