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Governo da RD Congo contabiliza 17 mil mortos em áreas ocupadas pelo M23

Relatório do Ministério dos Direitos Humanos do país documenta execuções, sequestros e tortura em Goma e Bukavu; país pede criação de tribunal internacional
Membro da Cruz Vermelha Congolesa faz uma pausa enquanto outros carregam sacos com cadáveres durante um enterro em massa para vítimas dos confrontos no leste da República Democrática do Congo, no cemitério de Musigiko, em Bukavu, em 20 de fevereiro de 2025.

Membro da Cruz Vermelha Congolesa faz uma pausa enquanto outros carregam sacos com cadáveres durante um enterro em massa para vítimas dos confrontos no leste da República Democrática do Congo, no cemitério de Musigiko, em Bukavu, em 20 de fevereiro de 2025.

— Luis Tato/AFP

23 de fevereiro de 2026

O governo da República Democrática do Congo divulgou neste sábado (21) um relatório que contabiliza pelo menos 17.015 mortes nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul desde o início da ocupação por forças ruandesas e pelos rebeldes da aliança AFC/M23. O documento foi apresentado pelo ministro dos Direitos Humanos, Samuel Mbemba Kabuya, durante cerimônia em Kinshasa presidida pela primeira-ministra Judith Suminwa.

O levantamento registrou 15.769 casos de execuções, 829 sequestros e 417 ocorrências de tortura e outros tratamentos desumanos. As violações ocorreram em áreas sob controle rebelde, incluindo as cidades de Goma e Bukavu, capitais provinciais de Kivu do Norte e Kivu do Sul.

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O relatório também apontou o deslocamento forçado de aproximadamente 7,4 milhões de pessoas, entre deslocados internos e refugiados em países vizinhos. As propriedades privadas das populações civis foram sistematicamente visadas, segundo o documento.

O ministério elaborou o documento após investigações de campo, depoimentos diretos e triangulação de documentos com a participação de especialistas, organizações de direitos humanos e instituições públicas.

Mulheres e crianças são atingidas de forma desproporcional

O conflito atinge desproporcionalmente mulheres e crianças. Estimativas indicam a ocorrência de uma violação a cada quatro minutos nas áreas afetadas pela violência. Grupos armados continuam a recrutar menores à força, segundo informações do governo congolês.

A investigação estabeleceu ligação entre a violência e a exploração ilegal de recursos naturais. As províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul abrigam importantes depósitos minerais, cobiçados por grupos armados e potências estrangeiras.

A primeira-ministra Judith Suminwa classificou a publicação do relatório como um momento decisivo para o país. Ela lembrou que a RD Congo desenvolve atualmente um esforço diplomático para o reconhecimento dos genocídios cometidos por Ruanda no leste do território nacional.

O governo defende a criação de um tribunal penal internacional especial para julgar os supostos autores dos crimes documentados. O ministro Mbemba solicitou a comunidade internacional a fornecer maior apoio ao país para proteger a população civil e restaurar a paz.


A violência no leste da RD Congo se intensificou em dezembro com a captura de Uvira, em Kivu do Sul, pelo M23, grupo apoiado por Ruanda. A cidade, estratégica devido aos recursos minerais e às ligações fronteiriças e fluviais, foi posteriormente desocupada pelos rebeldes a pedido dos Estados Unidos.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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