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Campanha busca liberdade de liderança da Favela do Moinho

Alessandra Moja Cunha está presa desde setembro de 2025 e era uma das lideranças comunitárias da última favela do centro de São Paulo
Uma das lideranças da Favela do Moinho, Alessandra Moja Cunha.

Uma das lideranças da Favela do Moinho, Alessandra Moja Cunha.

— Reprodução/Redes Sociais

6 de março de 2026

A campanha “Alê Livre”, assinada por entidades e movimentos sociais, busca arrecadar recursos financeiros para buscar a liberdade de Alessandra Moja Cunha, mulher negra e uma das lideranças da Favela do Moinho,em São Paulo. Ela foi presa no dia 8 de setembro de 2025, acusada de associação ao tráfico, o que familiares negam que seja verdade.

Na quinta-feira (5), a Defensoria Pública realizou uma audiência pública pedindo a liberdade de Alessandra e denunciando a criminalização da Favela do Moinho. A área onde está localizada a comunidade pertence à União, mas vinha sendo alvo de ações do governo do estado de São Paulo sob o argumento da criação de um parque e da estação Bom Retiro. 

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As tentativas de remoção resultaram em uma série de confrontos marcados por violência policial e se tornaram alvo de denúncias de moradores e parlamentares.

Em 2025, o governo federal chegou a realizar um acordo para garantir subsídio integral à aquisição de moradias para toda a comunidade, mas muitos moradores não conseguiram reunir a documentação dentro do prazo ou atender às exigências de renda e a outras burocracias. Com isso, parte das famílias tem sido obrigada a deixar a favela sem ter uma moradia garantida.

Entenda o caso

Nesse contexto de reivindicação pelo direito à moradia, no dia 8 de setembro de 2025, durante uma operação policial coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, agentes decretaram a prisão de Alessandra. Ela foi acusada de participação em organização criminosa, extorsão, receptação, crime ambiental e associação ao tráfico.

Segundo relatos, durante a ação policial a casa de Alessandra foi arrombada e ela teria sido agredida por agentes. Os apoiadores também denunciam que policiais teriam forjado uma mochila com entorpecentes para incriminá-la.

Antes da prisão, segundo a campanha, Moja já havia sido ameçada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) em meio aos conflitos envolvendo a comunidade e também foi alvo de criminalização por ser ex-presidiária, condição que tem sido utilizada para deslegitimar sua atuação como liderança na comunidade.

Em publicações nas redes sociais, ativistas recordam a trajetória de Moja, que há cerca de 15 anos atua na defesa da comunidade. Entre as pautas levantadas estão a gratuidade das moradias, a regularização fundiária, o acesso à água, luz e saneamento básico, além da permanência dos moradores no território. 

Alessandra também foi uma das principais responsáveis pela promoção e manutenção de espaços coletivos voltados a atividades culturais na favela, como a Casa Pública, o Parque Vermelhão e o Cine Moinho.

Ainda de acordo com a campanha, Alessandra foi transferida sem justificativa para uma penitenciária em Tupi Paulista, a cerca de 700 quilômetros da capital paulista. No local, ela teria direito a apenas quatro horas diárias de banho de sol e não tem conseguido receber visitas pessoais devido à distância e às dificuldades de deslocamento dos familiares.

A família afirma não ter condições financeiras de custear viagens ao interior do estado e também relata dificuldades para enviar o chamado “jumbo”, conjunto de mantimentos com itens de higiene, alimentos, produtos de limpeza e roupas permitido periodicamente nas unidades prisionais.

O caso é acompanhado pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), que assumiu gratuitamente a defesa da liderança comunitária.

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  • Thayná Santana

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