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CONAQ denuncia descaso em escolas quilombolas no Espírito Santo 

Entidades denunciam infestação de morcegos, exposição a doenças e falta de manutenção em escolas quilombolas do Espírito Santo
Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Linhares, em Conceição da Barra (ES).

Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Linhares, em Conceição da Barra (ES).

— Reprodução/CONAQ

6 de março de 2026

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) denunciou, na quinta-feira (5),  problemas estruturais que impactam a educação de crianças quilombolas no território Sapê do Norte, nas cidades de Conceição da Barra e São Mateus, no Espírito Santo. 

Em nota, a entidade relata que, no município barrense, a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Linhares, na Comunidade Quilombola Linharinho do Campo, apresenta uma infestação de morcegos, com exposição a fezes e urina dos animais nas dependências da unidade. 

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O contexto, avalia a CONAQ, aumenta a possibilidade de contaminação de crianças, professores e funcionários por doenças como a raiva. Anteriormente, a comunidade de São Domingos passou por uma situação semelhante e precisou ser transferida para um novo prédio, antes da conclusão total da obra. 

O Coletivo Estadual de Educação Quilombola do Espírito Santo, que assina o comunicado junto à Coordenação, destaca que não há limpeza adequada ou capina no entorno das escolas, o que resulta no acúmulo de lixo e folhas. Também é relatada a falta de iluminação e de inspeções sanitárias frequentes.

“A presença de morcegos nas unidades escolares é consequência direta da falta de manutenção regular por parte do poder público”, diz trecho da denúncia. 

Já a Comunidade Nova Vista, em São Mateus, aguarda desde 2014 pela construção de uma escola que, até o momento, não foi concluída. O comunicado informa que não há previsão concreta de entrega, mesmo após diversas intervenções do movimento quilombola. 

As entidades demandam a vistoria imediata da Vigilância Sanitária nas unidades escolares quilombolas do território, a contratação urgente de empresas especializadas no controle de pragas e a manutenção estrutural completa das escolas.  

Os coletivos ainda pedem a garantia de limpeza regular e manejo adequado de resíduos e transparência quanto às providências adotadas pelo município. 

“A responsabilidade pela manutenção das unidades é do poder público, por meio da Secretaria Municipal de Educação. A omissão diante da situação configura grave descaso com crianças negras e quilombolas que já enfrentam desigualdades históricas”.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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