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O que é Ticumbi?

Conheça o Ticumbi, manifestação cultural mantida pelas comunidades quilombolas, celebrada principalmente em Conceição da Barra, no Espírito Santo
Grupo de homens participa de apresentação tradicional do Ticumbi, tocando pandeiros e dançando sob uma tenda decorada com fitas coloridas; ao centro, dois dançarinos usam roupas brancas, coroas ornamentadas e capas com estampas africanas enquanto executam os passos da dança.

Ticumbi ou Baile do Congo de Conceição da Barra, Espírito Santo.

— Reprodução/Instagram @Bailedocongo_Ticumbi

14 de março de 2026

Trazido por africanos escravizados para o Brasil, o Ticumbi (também chamado de “Baile do Congo”) é uma dança folclórica de origem africana que acontece tradicionalmente no Espírito Santo. A manifestação é mais comum no extremo norte do estado, em regiões como Conceição da Barra. Geralmente, a festa dura três dias, entre 30 de dezembro e 1º de janeiro.

A história por trás do Ticumbi

A dança, herança de tradições africanas pré-coloniais e mantida viva principalmente por quilombolas, encena acontecimentos ligados à história da população negra e dos antigos reinos africanos. O cortejo de reis, batalhas entre nações inimigas, coroações e disputas entre monarcas fazem parte da narrativa.

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No Ticumbi, a encenação mostra a disputa entre o Rei de Bamba e o Rei do Congo pelo direito de prestar louvor a São Benedito. Segundo a tradição, o Rei do Congo vence a disputa, e o Bamba e seus seguidores são submetidos ao batismo.

Embora seja mais conhecida em Conceição da Barra, a tradição do Ticumbi também aparece em outras localidades do norte capixaba. Há registros no município de Barreiras e em comunidades de Santana, como Sapê, e em Itaúnas, onde acontecem também as festas de São Benedito e de São Sebastião.

Leia mais: Entenda a diferença entre a República do Congo e a República Democrática do Congo. 

População negra no Espírito Santo

A presença dessa tradição também dialoga com a composição da população capixaba. De acordo com o Censo 2022, 61% dos moradores do Espírito Santo se declaram negros (pretos e pardos). Em Grande Vitória, capital do estado, esse percentual é ainda maior: 64,1%, contra 35,6% de brancos.

Parte dessa presença é recente. Entre 2010 e 2022, a população preta no estado cresceu 46,5%, segundo o IBGE. No mesmo período, a população indígena aumentou 50,3%, chegando a 14.410 pessoas. Pesquisadores também apontam subnotificação indígena, já que muitas pessoas acabam se declarando pardas nos censos.

Leia mais: CONAQ denuncia descaso em escolas quilombolas do Espírito Santo

Folclore capixaba e suas tradições

O folclore do Espírito Santo, no entanto, não se resume ao Ticumbi. Danças, folguedos, artesanato e culinária formam um conjunto diverso de manifestações culturais. Em comum, elas carregam influências indígenas, africanas e europeias — resultado dos processos históricos, econômicos e políticos que moldaram a identidade cultural do povo capixaba.

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  • Cientista social formada pela USP e mestranda em Antropologia na mesma universidade. Tem seis anos de experiência em comunicação, com atuação na cobertura de gênero e raça, além de trabalhar com redes sociais, desenvolvimento de audiência e análise de dados. Já colaborou com portais jornalísticos como Revista AzMina e Alma Preta.

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