Trazido por africanos escravizados para o Brasil, o Ticumbi (também chamado de “Baile do Congo”) é uma dança folclórica de origem africana que acontece tradicionalmente no Espírito Santo. A manifestação é mais comum no extremo norte do estado, em regiões como Conceição da Barra. Geralmente, a festa dura três dias, entre 30 de dezembro e 1º de janeiro.
A história por trás do Ticumbi
A dança, herança de tradições africanas pré-coloniais e mantida viva principalmente por quilombolas, encena acontecimentos ligados à história da população negra e dos antigos reinos africanos. O cortejo de reis, batalhas entre nações inimigas, coroações e disputas entre monarcas fazem parte da narrativa.
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No Ticumbi, a encenação mostra a disputa entre o Rei de Bamba e o Rei do Congo pelo direito de prestar louvor a São Benedito. Segundo a tradição, o Rei do Congo vence a disputa, e o Bamba e seus seguidores são submetidos ao batismo.
Embora seja mais conhecida em Conceição da Barra, a tradição do Ticumbi também aparece em outras localidades do norte capixaba. Há registros no município de Barreiras e em comunidades de Santana, como Sapê, e em Itaúnas, onde acontecem também as festas de São Benedito e de São Sebastião.
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População negra no Espírito Santo
A presença dessa tradição também dialoga com a composição da população capixaba. De acordo com o Censo 2022, 61% dos moradores do Espírito Santo se declaram negros (pretos e pardos). Em Grande Vitória, capital do estado, esse percentual é ainda maior: 64,1%, contra 35,6% de brancos.
Parte dessa presença é recente. Entre 2010 e 2022, a população preta no estado cresceu 46,5%, segundo o IBGE. No mesmo período, a população indígena aumentou 50,3%, chegando a 14.410 pessoas. Pesquisadores também apontam subnotificação indígena, já que muitas pessoas acabam se declarando pardas nos censos.
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Folclore capixaba e suas tradições
O folclore do Espírito Santo, no entanto, não se resume ao Ticumbi. Danças, folguedos, artesanato e culinária formam um conjunto diverso de manifestações culturais. Em comum, elas carregam influências indígenas, africanas e europeias — resultado dos processos históricos, econômicos e políticos que moldaram a identidade cultural do povo capixaba.