A Câmara do Conselho do Tribunal de Primeira Instância de Bruxelas, na Bélgica, decidiu nesta terça-feira (17) que o ex-diplomata Étienne Davignon será julgado por envolvimento no sequestro que levou ao assassinato de Patrice Emery Lumumba, que foi o primeiro primeiro-ministro democraticamente eleito na República Democrática do Congo (RDC), em janeiro de 1961.
Para o tribunal, o assassinato do líder político constitui um crime de guerra imprescritível. A decisão ocorre 15 anos depois de François Lumumba, filho mais velho de Patrice, ter apresentado uma queixa-crime nos tribunais de Bruxelas contra 11 cidadãos belgas suspeitos de envolvimento nos eventos que levaram à morte de seu pai.
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Aos 93 anos, Davignon é o último suspeito do crime ainda vivo. O caso foi ouvido pela primeira vez na Câmara do Conselho somente em 20 de janeiro de 2026, ocasião em que dez membros adicionais da família Lumumba (representando os netos) juntaram-se ao processo como partes civis.
Roland Lumumba, filho do primeiro-ministro congolês, declarou que o objetivo do processo não é punitivo, mas a busca pela verdade histórica.
O caso é um dos assassinatos políticos mais emblemáticos da era colonial e é marcado por detalhes sensíveis, como o fato de o único resto mortal conhecido de Lumumba (um dente guardado por décadas por um agente belga) ter sido devolvido à RDC apenas em 2022.
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