O Ministério da Cultura (MinC) emitiu, no domingo (22), uma nota de repúdio ao início da demolição do Teatro Contêiner, no centro da capital paulista, pela Prefeitura de São Paulo.
Em janeiro, a administração municipal, chefiada por Ricardo Nunes (MDB), retomou a posse da área ocupada desde 2016 pela Cia Mungunzá e pela ONG Tem Sentimento. O local se tornou uma ocupação artística e sociocultural na região conhecida como Cracolândia.
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A primeira ordem de desocupação ocorreu em maio de 2025. Uma das ações de despejo da Guarda Civil Metropolitana (GCM), em agosto do mesmo ano, utilizou spray de pimenta contra os artistas.
Na nota, também assinada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), a pasta informa que foi solicitada a retomada das negociações da prefeitura com a Cia para a reinstalação da iniciativa em outro terreno, mas não houve retorno positivo.
“Lamentavelmente, a Prefeitura tem se mantido irredutível em apresentar qualquer alternativa para a permanência das atividades do Teatro de Contêiner”, diz trecho do comunicado.
O MinC destaca que as apresentações dos espetáculos são acolhidas pelo Complexo Cultural Funarte São Paulo, no Campos Elíseos, com apoio da Superintendência do Patrimônio da União.
“O Teatro de Contêiner e a Cia Mugunzá são referências nacionais e internacionais, devem ser protegidos, fomentados e não destruídos. Teatro não x se derruba!”.
A vereadora Amanda Paschoal também se manifestou nas redes sociais. No X (antigo Twitter), a parlamentar classificou a demolição como uma “tentativa de aniquilação das expressões artísticas”.
“Ao invés de construir mais espaços como o Teatro de Contêiner, que abrigou montagens teatrais, shows e projetos sociais imprescindíveis como o Tem Sentimento, o governo municipal abraçou o fim da arte como projeto de cidade. Tarcísio de Freitas, o governador bolsonarista, também é cúmplice desse crime”.
ESPETÁCULO DA DESTRUIÇÃO!
— Amanda Paschoal (@AmandaaPaschoal) March 22, 2026
A Prefeitura de São Paulo iniciou a destruição do Teatro de Contêiner Mugunzá, histórico espaço de resistência cultural da cidade: um verdadeiro enclave da arte e de uma visão inédita de direito à cidade e à arte no território da Luz, no centro da… pic.twitter.com/j40g93Bv8M