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Iphan libera obra do metrô de SP após resgate arqueológico de quilombo

Obras foram paralisadas em 2022, quando foram encontrados vestígios do quilombo do Saracura; monitoramento arqueológico seguirá durante as obras
Canteiro de obras da estação 14 Bis-Saracura.

Canteiro de obras da estação 14 Bis-Saracura.

— Reprodução/Site Metrô CPTM

28 de março de 2026

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) emitiu parecer técnico favorável à conclusão das escavações arqueológicas realizadas na área onde foram encontrados vestígios do Quilombo do Saracura, refúgio de escravos que teria existido na região do Bixiga. Com isso, foi liberada a retomada das obras da futura estação 14 Bis–Saracura, da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo.

O órgão publicou o parecer técnico nº 41/2026 no dia 18 de março. As obras estavam parcialmente paralisadas desde junho de 2022, quando cerca de 4 mil peças com vestígios associados a populações negras e quilombolas foram encontradas. 

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A liberação ocorreu após relatório enviado pela concessionária Linha Uni, responsável pela obra, que é liderada pela empreiteira Acciona e supervisionada pela consultoria de arqueologia A Lasca.

As obras haviam sido temporariamente suspensas para proteger os artefatos arqueológicos encontrados. À época, foram descobertos mais de 40 mil objetos, entre contas, conchas e uma imagem que pode representar a divindade afro-religiosa Exu, relacionada à cultura afro-brasileira.

No local, o Iphan também apontou indícios de que poderia ter funcionado um templo afro-religioso.

Leia mais: Novos achados arqueológicos reforçam a possível existência do Quilombo Saracura no Bixiga

A autorização se refere à área 4 do terreno da futura estação, na região da Praça 14 Bis, no Bixiga, centro da capital paulista. Segundo o documento, os achados foram diminuindo ao longo das escavações até que, na sexta e última etapa de escavação manual, a 7,5 metros de profundidade, não foram encontrados novos vestígios.

A futura estação receberá o nome Saracura em referência ao sítio arqueológico e à memória histórica da presença negra na região, associada ao antigo quilombo que existia no local. 

A mudança atendeu a reivindicações de movimentos sociais, que também solicitaram a criação de um memorial com os achados arqueológicos.

A Linha 6-Laranja ligará o bairro da Brasilândia, na zona norte, à estação São Joaquim, na região central. A previsão é de que o trecho entre Brasilândia e Perdizes seja entregue em outubro deste ano, enquanto a operação entre Perdizes e São Joaquim, onde ficará a estação 14 Bis–Saracura, é esperada para 2027.

Como fica a continuidade das obras no local

De acordo com o Metrô de São Paulo, após a análise do relatório, o Iphan se manifestou favorável à continuidade das obras, desde que os trabalhos sejam acompanhados por monitoramento arqueológico realizado por equipe especializada nas próximas fases.

O órgão informou ainda que, caso sejam identificados novos vestígios não previstos durante as escavações futuras, as intervenções deverão ser interrompidas para nova análise.

O Iphan também destacou que deverão ser realizadas a triagem do material já resgatado, a elaboração do relatório final das atividades e a criação de um Museu estação de metrô. 

Apesar da liberação, a retomada das obras ainda depende de etapas administrativas e operacionais por parte da concessionária Linha Uni.

Leia mais: SP: Nome de futura estação de metrô é alterado para homenagear quilombolas

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  • Thayná Santana

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