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Documentário revela traumas deixados pela militarização nas favelas do Rio 

Produção “Cheiro de Diesel” chega aos cinemas brasileiros e denuncia violações de direitos humanos em comunidades ocupadas pelas Forças Armadas na capital fluminense
Cena do longa-metragem “Cheiro de Diesel”, que estreia no dia 2 de abril de 2026 nos cinemas.

Cena do longa-metragem “Cheiro de Diesel”, que estreia no dia 2 de abril de 2026 nos cinemas.

— Divulgação

31 de março de 2026

O documentário “Cheiro de Diesel” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (2). Com distribuição da Descoloniza Filmes, o longa-metragem aborda os traumas coletivos provocados pela militarização de favelas e morros do Rio de Janeiro, ocupados pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

A semana de estreia escolhida é simbólica por remeter à memória do Golpe Militar de 1964, que completa 61 anos em 31 de março e deu início a uma ditadura de mais de três décadas no Brasil, e à ocupação das Forças Armadas na Maré, no Rio de Janeiro, iniciada há 12 anos, sob o pretexto de pacificar a região.

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O documentário reúne relatos de moradores da Maré e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense, e do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo. Eles descrevem uma rotina marcada por medo e tensão durante a presença de soldados armados com fuzis e tanques de guerra nas ruas. 

O filme também acompanha a luta por justiça e reparação das vítimas de violações de direitos humanos.

Leia mais: Mortes por intervenção policial sobem 34% no Rio de Janeiro

O cenário retratado corresponde às ocupações entre 2014 e 2015 e que voltaram a ocorrer entre 2017 e 2018. Ao longo da narrativa, moradores denunciam ameaças constantes e episódios de violência, incluindo o relato de tortura de residentes da Penha em uma “sala vermelha” dentro de um quartel do Exército.

O longa é dirigido por Natasha Neri, documentarista premiada por “Auto de Resistência”, vencedor do festival “É Tudo Verdade” em 2018 , e por Gizele Martins, jornalista comunitária da Favela da Maré, que também conduz os depoimentos e marca a sua estreia na direção.

A diretora Gizele Martins acompanhou de perto as ocupações, atuando como moradora, jornalista e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

“O cotidiano foi de invasão às escolas, aos postos de saúde, às casas, revistas constantes, assassinatos e a censura dos comunicadores comunitários. Sofremos muitas violações. A Maré foi laboratório para o que ocorreu no Rio de Janeiro em diversas favelas durante o governo de Michel Temer, em 2017 e 2018”, afirma em nota à imprensa.


Após estrear no Festival do Rio, o filme  conquistou o Prêmio Especial do Júri e o prêmio de Melhor Documentário pelo Voto Popular. 

A produção é realizada por Amana Cine e Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil e apoio da RioFilme. A distribuição é da Descoloniza Filmes, em parceria com a RioFilme, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.

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  • Thayná Santana

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