Após circular por festivais nacionais e internacionais e conquistar diversos prêmios, o longa-metragem “Timidez” chegou às salas de cinema de Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Maceió nesta semana.
Dirigido pelos baianos Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik, o filme é um suspense psicológico que propõe um olhar sensível sobre as feridas emocionais deixadas pelo racismo cotidiano, não em sua face explícita, mas nas cicatrizes íntimas que moldam subjetividades.
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O longa é protagonizado pelos atores baianos Dan Ferreira e Antonio Marcelo, que recebeu o prêmio de melhor ator pelo filme no 16º Festival de Triunfo. O roteiro parte da adaptação do texto teatral “O Cego e o Louco”, da dramaturga Cláudia Barral, encenado há mais de 25 anos em diferentes palcos do Brasil.
O filme conta ainda com produção da Modupé (BA) e co-produção da Raccord Produtora (RJ), de Clélia Bessa e Marcos Pieri.
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Um filme sobre silêncios, afeto e opressão
O filme conta a história de Jonas, jovem negro que divide a casa com o irmão Nestor, um homem cego cuja relação oscila entre afeto e opressão. Carregado por memórias que o adoecem, Jonas se tornou inábil nas relações sociais e alimenta um universo particular, marcado por rejeição e solidão.
Essa “timidez” é mais que um traço de personalidade: é a manifestação íntima de feridas emocionais profundas, atravessadas por experiências que se acumulam desde a infância e moldam a sua percepção de si mesmo.
A produção audiovisual investiga ainda como os atravessamentos emocionais de ser negro em uma sociedade repleta de tensões raciais como o Brasil moldam a identidade e a percepção de pessoas negras sobre si mesmas e sobre o amor.
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Premiações e participação em festivais
No 16º Festival de Cinema de Triunfo, ocorrido em dezembro de 2025, o longa conquistou seis premiações: Melhor Longa Nacional (Júri Oficial), Melhor Direção (Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik), Melhor Roteiro (Susan Kalik, Cláudia Barral e Marcos Barbosa), Melhor Ator (Antonio Marcelo), Melhor Direção de Arte (Carol Tanajura), Melhor Montagem (Lucílio Jota e Quito Ribeiro) e Menção Honrosa do Júri Popular.
Recentemente foi um dos destaques da 21ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema, realizado em Salvador (BA), ao conquistar três prêmios.
O filme, que participou da Competitiva Baiana, foi premiado pelo júri oficial na categoria Melhor Fotografia (Matheus da Rocha Pereira). No júri jovem e júri das Associações (APAN, APC, API, MULHERCINE, AUTORAIS, CONNE) o filme levou o prêmio de Melhor Longa Baiano.
Timidez também foi selecionado para dois dos mais importantes espaços do cinema negro contemporâneo da atualidade: o Pan-African Film & Arts Festival (PAFF), em Los Angeles, maior festival do gênero nos Estados Unidos e da Diáspora, e para o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe, maior e mais longeva mostra dedicada ao cinema negro no Brasil.