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Trabalhadores da escala 6×1 ganham, em média, 58% a menos que os da 5×2

Nota técnica do Ipea aponta que pessoas negras são maioria entre trabalhadores em jornadas de 44 horas semanais
Protesto pelo fim da escala 6x1 na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 10 de julho de 2025.

Protesto pelo fim da escala 6x1 na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 10 de julho de 2025.

— Miguel Schincariol / AFP

23 de abril de 2026

Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revela que sete em cada dez profissionais CLT da jornada 6×1, que cumprem 44 horas semanais de tranalho, recebem, em média, cerca de R$ 3,5 mil a menos do que os que trabalham na escala 5×2, 40h por semana. 

A jornada de trabalho de 44 horas semanais, com o limite de oito horas diárias, está prevista na Constituição e na Consolidação das Leis do Trabalho. O tema tem sido amplamente discutido na Câmara dos Deputados, que, no momento, analisa duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que limitam a jornada de trabalho para 36 horas por semana. 

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Conforme aponta o estudo, realizado com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), os trabalhadores que cumprem 44 horas semanais recebem em média R$ 2.627,74. Para o regime de 40 horas, a média salarial chega a R$ 6.211,16, uma diferença de 58%. 

Os menores salários, indica o Ipea, acompanham uma maior rotatividade. O fator demonstra que os cargos com maior carga horária são significativamente menos duradouros. 

O recorte racial evidencia que os trabalhadores brancos representam 56% daqueles que estão em regimes de 40 horas semanais e 40% das jornadas de 44 horas semanais. No entanto, a população negra é a maioria nas jornadas mais longas e minoria nas demais, com índices inferiores para os celetistas. 

Em relação ao nível de escolaridade, o estudo observou maior predominância das menores jornadas de trabalho entre os trabalhadores com ensino médio completo ou superior incompleto. Cerca de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou menos possuem escalas acima das 40 horas semanais, valor que cai para 53% entre aqueles com diploma de ensino superior. 

Leia mais: Negros são maioria dos trabalhadores na escala 6×1 e têm os menores salários

Fim da escala 6×1 e embate entre esquerda e direita no Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou à Câmara dos Deputados, em regime de urgência, um projeto de lei que limita a jornada de trabalho a 40 horas semanais, sem reajuste salarial. 

Leia mais: Lula envia PL do fim da escala 6×1 com urgência ao Congresso

A pauta é tema de intensa discussão no Congresso e da mobilização da sociedade civil, que, segundo pesquisa da Nexus, é majoritariamente favorável ao fim da escala 6×1. 

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), junto ao vereador fluminense Rick Azevedo (PSOL-RJ), iniciou a discussão propondo uma Proposta de Emenda à Constituição que altera o regime atual de 44 horas para 36 horas semanais. 

A proposição teve a admissibilidade aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que passará a ser debatida por uma comissão. O grupo ainda será formado pela Mesa Diretora. 

A articulação enfrenta resistência de partidos de extrema-direita. Em reuniões com empresários, líderes do Partido Liberal (PL) declararam explicitamente que trabalhariam para frear o avanço dos projetos.

Em outra ocasião, o deputado Marco Feliciano (PL-SP) considerou a proposta “excessiva” e informou que o partido usaria um “kit obstrução” para atrasar o debate na CCJ. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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