O Partido Liberal (PL) adotará uma campanha que visa atacar a mobilização parlamentar em defesa do fim da escala 6×1, em debate no Congresso e tema do Projeto de Lei (PL) enviado com urgência pelo governo federal. A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo na segunda-feira (28).
Atualmente, a Câmara dos Deputados analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), elaborada com o vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ).
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A matéria, que prevê a redução da carga trabalhista para 36 horas, com três dias de descanso, teve a admissibilidade aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) no dia 22 de abril e aguarda a constituição de uma comissão temporária, a ser determinada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
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Também é discutida a proposta do governo Lula, que propõe a redução de 44 para 40 horas por semana, sem redução salarial. É esperado que, na Comissão Especial, o PL tente “desidratar” as propostas, alterando pontos importantes por meio de emendas.
Segundo a reportagem da Folha, os partidos de direita opositores à proposta articulam materiais de campanha criticando a alteração da escala 6×1. Entre as estratégias, está alegar que a mudança acarretaria prejuízos financeiros ao trabalhador. A articulação também deve focar nas mulheres, utilizando depoimentos para afirmar que a política resultará na diminuição salarial.
Durante a última sessão realizada na CCJC, o líder do partido, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), declarou que o PL se trata de uma medida eleitoreira e desatualizada.
“Agora, num passe de mágica, o Lula inventou, junto com alguns parlamentares da esquerda, a famosa pauta que vai resolver o problema do trabalhador brasileiro: o fim da escala 6 por 1. Mentira e enganação em ano eleitoral”, discursou.
Essa não é a primeira vez que o PL sinaliza que irá trabalhar para impedir o avanço e a eventual aprovação da proposta, que, segundo pesquisa da Nexus, é aprovada pela maioria dos brasileiros.
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No dia 15 de abril, após os deputados Lucas Redecker (PSDB-RS) e Bia Kicis (PL-DF) solicitarem mais tempo para analisar a proposta, o deputado Marco Feliciano (PL-SP) nomeou a mobilização como “kit obstrução” e defendeu o trabalho até a exaustão.
“Todo trabalho dignifica o homem. Nós temos um país que precisa crescer, e só há crescimento se houver trabalho. Democracias sérias e maduras, como os Estados Unidos da América e Japão, todas as pessoas trabalham até a exaustão”, disse à época.
Em outra ocasião, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, declararam trabalhar para interferir na tramitação da PEC de Hilton no Congresso.