Uma pesquisa da Nexus, divulgada na quinta-feira (12), revela que 82% dos brasileiros de 16 a 40 anos são a favor do fim da escala 6×1, sem redução salarial. A pauta é tema da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/25, que visa alterar o regime trabalhista em que o empregado trabalha seis dias consecutivos para um dia de descanso.
Entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro, a empresa de dados entrevistou 2.023 pessoas com 16 anos ou mais, nas 27 unidades da federação. A pesquisa possui uma margem de erro de dois pontos percentuais. Considerando todas as faixas etárias, a aprovação do fim da escala 6×1 atinge 63%.
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Entre os que são favoráveis ao fim da escala 6×1, 31% dos jovens de 16 a 24 anos são totalmente a favor, independentemente do possível impacto nos salários; os que concordam com a medida caso não resulte em diminuição salarial somam 47% e os que estão de acordo sem opinião formada sobre os detalhes da proposta, 4%.
Cerca de 35% dos brasileiros entre 25 e 40 anos são totalmente a favor do fim da escala, mesmo podendo refletir na redução dos pagamentos. A aprovação da norma sem implicações salariais é consenso entre 42% dos entrevistados.
O percentual de favoráveis cai para 62% entre os brasileiros de 41 a 59 anos e para 48% na população com mais de 60 anos.
Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, os dados indicam que a redução salarial é um importante fator a ser considerado no debate.
“Quando observamos os números em detalhe, fica evidente que a renda mensal funciona como o principal fator de decisão nesse debate. Há um grupo menor, mas relevante, que apoia o fim da escala independentemente do impacto salarial, o que sugere uma mudança de valores em relação ao trabalho”, destaca em trecho do levantamento.
Tramitação da PEC contra a escala 6×1
A proposição, apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), prevê que a jornada não pode ultrapassar oito horas diárias, 36 horas semanais e quatro dias por semana.
Em fevereiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou a PEC para a análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que avaliará a admissibilidade da matéria.
Caso seja admitida pela CCJ, uma comissão especial terá o prazo de 40 sessões do plenário para analisar o mérito da proposta e votar o texto. Nessa etapa, emendas podem ser apresentadas nas primeiras dez sessões desse intervalo. Em seguida, o texto é votado em dois turnos pelo Plenário e precisa do voto favorável de três quintos dos parlamentares (308 deputados) para ser aprovado.