PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Erika Hilton sobre escala 6×1: ‘O trabalho não pode sugar a vida do indivíduo’

Em entrevista à Alma Preta, a deputada federal destaca que a PEC do fim da escala 6x1 abre margem para debates sobre outros direitos trabalhistas
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-RJ), em sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, no dia 16 de abril de 2026.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-RJ), em sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, no dia 16 de abril de 2026.

— Reprodução/ Lula Marques/ Agência Brasil

1 de maio de 2026

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/25, que prevê o fim da escala 6×1, consolidou-se como um dos principais debates em curso no Congresso Nacional, mobilizando parlamentares, o governo federal e movimentos sociais. Ao mesmo tempo, a iniciativa enfrenta forte resistência do setor empresarial e de partidos de direita contrários à redução. 

A pauta teve repercussão nacional e mobilizou a população brasileira que, segundo pesquisa da Nexus, apoia majoritariamente a alteração na escala de trabalho. Nesse contexto, a deputada federal Erika Hilton (PSOL), autora da PEC e primeira a pautar o tema na Câmara dos Deputados, se destaca como uma das principais vozes na defesa da medida. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Em entrevista exclusiva à Alma Preta, a deputada afirma que o modelo atual de trabalho impõe uma rotina exaustiva, que afeta diretamente a vida pessoal e familiar de milhões de pessoas. 

“Onde há a escala 6×1 no setor da indústria, as pessoas não têm vida. Essas pessoas precisam abandonar seus sonhos, essas pessoas não veem seus filhos crescerem, essas mães saem de casa com seus filhos dormindo, voltam com seus filhos dormindo”, afirma. 

“O trabalho é parte importante da vida das pessoas, mas ele não pode drenar, sugar e roubar a vida do indivíduo”, acrescenta.

Leia mais: CCJ da Câmara aprova avanço do fim da escala 6×1; entenda os próximos passos

A proposta de Hilton, elaborada em parceria com o vereador fluminense Rick Azevedo (PSOL-RJ), propõe a adoção de uma jornada de quatro dias por semana e 36 horas semanais, com limite diário de oito horas. A matéria foi aprovada recentemente pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e aguarda designação de comissão especial pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). 

Para a parlamentar, além da resistência, a PEC enfreta uma onda de disseminação de informações falsas sobre possíveis impactos na economia, especialmente por parte de setores empresariais e da oposição. 

“Essa pauta constrangeu a extrema-direita dentro do Congresso Nacional, porque ficou uma situação ali, em que eles começaram a inventar uma série de narrativas falaciosas, mentirosas, equivocadas sobre o texto. […] Então, assim, não é que a escala 6×1 vai quebrar o país ou que a escala 6×1 não se sustenta de pé. Isso não existe”, aponta.

Hilton explica que essa resistência política se expressa tanto na dificuldade de avanço institucional da proposta quanto na tentativa de deslegitimação do debate público sobre os direitos trabalhistas. 

A deputada defende que o projeto é uma ferramenta necessária para garantir a qualidade de vida à classe trabalhadora. Segundo ela, a mudança deve ser analisada sob a perspectiva econômica e de saúde pública. 

“O fim escala 6×1, inclusive do ponto de vista do que ela representa no gasto para INSS, previdenciário, com acidente, com adoecimento psíquico, com uma série de coisas, representa uma reorganização e um avanço no método de trabalho que nós ainda temos hoje no Brasil”, diz.

Leia mais: Maioria dos brasileiros apoia o fim da escala 6×1, aponta pesquisa

De acordo com a parlamentar, o trabalho não pode ocupar toda a dimensão da vida dos indivíduos, sendo necessária uma reorganização que permita o acesso a outras experiências e direitos. Nesse sentido, uma mudança constitucional pode abrir caminho para a criação de mais legislações em prol dos trabalhadores.

“Se a gente consolida na Constituição do nosso país uma jornada melhor, mais digna de trabalho ao trabalhador, será que esse trabalhador também não vai se beneficiar no futuro? Será que a partir daí a gente não pode pensar em outras legislações importantes. Enfim, acho que todo mundo tende a ganhar”, avalia. 

Hilton ainda ressalta que a eventual aprovação da proposta exigirá mecanismos de fiscalização para evitar fraudes e garantir o cumprimento da nova jornada. Para avançar na pauta, observa, é crucial manter a pressão nas ruas. 

“É a mesma coisa de quem tem fome tem pressa, quem está explorado também tem pressa. Nós só vamos avançar com essa proposta se nós tivermos o apoio e a força da sociedade junto da gente. Então, fale disso nas redes sociais, no bar, na rua, no posto de trabalho e acredite que nós podemos avançar com a pressão popular”, conclui.

Confira a entrevista completa:

Edição: Nataly Simões

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano