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Mulheres lideram desenvolvimento econômico de territórios vulneráveis, diz estudo

Levantamento revela protagonismo de mulheres na geração de renda, mas destaca desafios como informalidade, sobrecarga e acesso limitado a crédito e qualificação 
Imagem mostra uma afroempreendedora fazendo artesanato. A 10ª edição da Feira Ilé-Ifè celebra a cultura negra e o afroempreendedorismo.

Imagem mostra uma afroempreendedora fazendo artesanato.

— Divulgação

17 de maio de 2026

O Brasil conta com mais de 10,4 milhões de empresas criadas e chefiadas por mulheres, segundo dados do Data Sebrae. Esse cenário é reforçado pelo estudo “Potencialidades & Inclusão Produtiva”, desenvolvido pela Fundação Grupo Volkswagen em parceria com o Instituto Toré, a partir do projeto Empreenda Social. 

A pesquisa revela que, em territórios de alta vulnerabilidade, os negócios locais são integralmente liderados por mulheres, evidenciando seu protagonismo econômico e social. Apesar disso, elas ainda enfrentam desafios estruturais relevantes, como a sobrecarga com os cuidados familiares, a informalidade e as barreiras de acesso a crédito e à qualificação profissional.  

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Nos quatro territórios analisados pela pesquisa, as mulheres não apenas são maioria entre os respondentes, como lideram grande parte dos empreendimentos. No Jabaquara (SP), elas lideram 100% dos negócios mapeados. No Montanhão (SBC) esse índice chega a 68,1% dos empreendedores; no Pós-Balsa, 51,3% dos negócios e, em Resende (RJ), 70% dos 120 empreendimentos são liderados por mulheres.

Esse cenário evidencia que o empreendedorismo local tem rosto feminino, com destaque para a presença de mulheres pretas e pardas em territórios como Resende.   

Esse protagonismo, no entanto, está diretamente associado à sobrecarga de responsabilidades. No Jabaquara, 49,8% dos respondentes afirmam ser os únicos responsáveis pelo sustento do lar, sendo 45,1% de mulheres com essa responsabilidade, enquanto, no Montanhão, 82,5% das pessoas que sustentam sozinhas suas famílias são mulheres.

Além disso, o cuidado também recai majoritariamente sobre elas: 45,1% das mulheres no Jabaquara cuidam sozinhas de outras pessoas, contra 4,2% dos homens, e, no Montanhão, 24,9% são cuidadoras exclusivas, evidenciando a dupla jornada que impacta diretamente sua capacidade produtiva.   

Leia mais: Empreendedoras negras faturam até 59% menos que homens brancos

Alta demanda por qualificação e desenvolvimento 

Apesar dessas restrições, o estudo aponta um elevado interesse por educação e qualificação. No Pós-Balsa, 86,9% demonstram interesse em cursos técnicos e 96,4% desejam desenvolver habilidades digitais.

No Montanhão, o interesse por formação técnica chega a 65,2%, e, no Jabaquara, a 53,6%. Em Resende, mais de 90% dos empreendedores afirmaram ter interesse em capacitações nas áreas de gestão, vendas, marketing e finanças.

O interesse por ensino superior também é relevante nesses territórios, alcançando 60,2% no Montanhão e 56,8% no Jabaquara. Esses dados reforçam a existência de capital humano engajado e disposto a se desenvolver.   

No entanto, o contexto socioeconômico impõe barreiras estruturais significativas. Há alta incidência de pobreza e extrema pobreza, especialmente no Pós-Balsa, onde 33,5% das famílias estão em extrema pobreza e 26,2% em pobreza.

No Montanhão, os índices chegam a 26% e 22,1%, respectivamente, enquanto no Jabaquara são 22,5% e 10%. Entre mulheres, a vulnerabilidade também é expressiva, com destaque para o Pós-Balsa, onde 29,3% estão em extrema pobreza.   

A dependência de políticas públicas é elevada: 69,7% das famílias do Pós-Balsa estão no CadÚnico, 31,8% em Montanhão e 27% no Jabaquara. Em Resende, há 2.892 famílias cadastradas, com predominância feminina (cerca de 59% a 61%). O recebimento de benefícios também é relevante, atingindo 48,8% no Jabaquara e 44,8% em Montanhão.   

Desafios estruturais limitam crescimento dos negócios 

No campo produtivo, destaca-se a alta informalidade: 44,4% dos negócios no Jabaquara são informais, cenário que se repete em Montanhão e Pós-Balsa, além de atingir 46,7% em Resende. A fragilidade financeira é evidente, sendo que apenas 10% dos empreendedores em Resende possuem reserva de emergência, enquanto 13,3% estão endividados, indicando limitações concretas para crescimento e sustentabilidade dos negócios.   

Por fim, o estudo evidencia que o principal gargalo não está na ausência de iniciativa, mas na combinação de restrições estruturais: falta de tempo, devido à sobrecarga de cuidado; limitação de capital; e acesso insuficiente a formação e redes de apoio.

Assim, embora as mulheres liderem a dinâmica econômica local e demonstrem alto interesse em qualificação, o avanço da inclusão produtiva depende de estratégias integradas que articulem crédito, capacitação e suporte social, com olhar específico para as desigualdades de gênero.  

Os dados evidenciam um potencial significativo de desenvolvimento econômico local liderado por mulheres, que pode ser ampliado por meio de políticas públicas e iniciativas voltadas à qualificação, ao acesso a crédito e ao fortalecimento das redes de apoio.

“Esses territórios são prioritários para nós da Fundação Grupo Volkswagen e revelam a força do empreendedorismo feminino na economia local. Com iniciativas como o Empreenda Social, projeto voltado ao empreendedorismo, à gestão e à geração de renda, buscamos fortalecer esses negócios e apoiar seu desenvolvimento sustentável”, complementa Victor Hugo Neia, diretor geral da Fundação Grupo Volkswagen.   

O estudo reforça a importância de iniciativas integradas que articulem inclusão produtiva, proteção social e equidade de gênero, contribuindo para o desenvolvimento de comunidades mais resilientes e economicamente ativas.   

Leia mais: Mulheres negras pagam juros mais altos em empréstimos, diz Banco Central

Mobilidade social  

Com o propósito de mudar vidas por meio da mobilidade social, a Fundação Grupo Volkswagem é apoiadora do Projeto Empreenda, que já ajudou cerca de 20 pessoas a mudarem de vida por intermedio da educação.   

Uma das pessoas beneficiadas pela Fundação por intermédoio do Programa Empreenda foi Renata Jesus Valeriano. Mãe atipica do pequeno Arthur, Renata precisou deixar um emprego fixo para acompanhar seu filho nas terapias e demais tratamentos após o diagnóstico de autismo.   

“Não consegui continuar no trabalho fixo, pois passei a acompanhar meu filho nas sessões de fisioterapia e terapias. Para me manter, passei a trabalhar com a venda de artesanato produzido por terceiros”, explicou.   

Moradora de Resende, uma das regiões assisitdas pelo projeto, Renata se especializou e viu na venda, mais de uma forma de subreviver, e sim uma oportunidade de evoluir e continuar com os cuidados de seu filho.

“Com o curso aprendi coisas novas que hoje consigo colocar em prática. Antes eu revendia produtos de terceiros, hoje, com o apoio do projeto, eu vendo itens próprios”.   

Renata aguarda agora a segunda etapa do Programa Empreenda, para obsorver novos conhecimentos e continuar a evoluir.

“Não vejo a hora de começar a nova fase do projeto. Quero continuar a aprender e colocar em prática todo esse conhecimento”, concluiu.  

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