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‘Mulheres negras são negligenciadas na saúde’, alerta pesquisadora em audiência no Rio

Segundo dados do Ministério da Saúde, o índice de mortalidade materna das mulheres negras é de 100,38 mortes por 100 mil nascidos vivos
Símbolo do Sistema Único de Saúde (SUS), no Super Centro Carioca de Saúde, em Benfica, no Rio de Janeiro.

Símbolo do Sistema Único de Saúde (SUS), no Super Centro Carioca de Saúde, em Benfica, no Rio de Janeiro.

— Reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil

23 de maio de 2026

Dados do Ministério da Saúde indicam que a mortalidade materna entre mulheres negras é mais que o dobro de mulheres brancas. A informação foi divulgada em audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no dia 19 de maio.

A presidente da comissão, deputada estadual Renata Souza (PSOL), destacou que o índice de mortalidade entre as mulheres brancas é de 46,56 mortes por 100 mil nascidos vivos. Para as negras, o número salta para 100,38.

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Souza também citou dados do Observatório da Saúde Pública, que apontam para a maior incidência de hipertensão e diabetes entre as mulheres negras, além de dificuldades de acesso precoce ao pré-natal e ao diagnóstico de câncer.

“As mulheres negras sofrem com dois gatilhos importantes, que são o machismo e o racismo institucional. A gente está numa perspectiva de uma PEC dentro da Casa para criar um fundo de reparação para a população negra em geral, diante do genocídio histórico que nos foi imposto”, destacou a parlamentar.

Leia mais: Projeto investiga impacto do racismo na saúde reprodutiva da população negra

Para a educadora, pesquisadora e líder religiosa Iyá Katiuscia de Yemanjá, as mulheres negras enfrentam violações no acesso básico à saúde fluminense, como dificuldades de continuidade nos exames de rotina e interrupções de tratamento. 

“Mulheres negras não conseguem prosseguir com os tratamentos ou mesmo retornar a uma consulta de rotina, sendo negligenciadas com informações sobre sua própria saúde. É fato que nosso corpo é o que cuida, mas perece por falta de cuidados”.

A reunião contou também com a presença da ouvidora da Defensoria Pública, Fabiana Silva; da superintendente de Igualdade Social do Rio de Janeiro, Iana Moreira; e de representantes da sociedade civil. 

Leia mais: Mulheres negras sofrem negligência médica e têm maior risco de infarto

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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