O III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ reuniu mais de 600 lideranças de 24 estados brasileiros e delegações de sete países na última semana. O evento celebrou os 30 anos de fundação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e ocorreu na região administrativa do Gama, no Distrito Federal.
O lema do encontro foi “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia: somos o começo, o meio e o começo!”, inspirado na filosofia de Nêgo Bispo.
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“A nossa produção gera vida. Lutamos pela titulação dos nossos territórios porque precisamos proteger nossos corpos e nossa história”, destacou Selma Dealdina Mbaye, coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da CONAQ.
Um dos principais momentos do encontro ocorreu com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da primeira-dama Janja Lula da Silva e de ministras de Estado. Na ocasião, o governo federal oficializou a entrega de 18 títulos de domínio para nove comunidades quilombolas localizadas em seis estados brasileiros.
A medida beneficia cerca de 1.780 famílias em uma área superior a 11,6 mil hectares. Entre os territórios contemplados estão comunidades de Goiás, Tocantins, Santa Catarina, Maranhão, Amapá e Bahia.
Também foram assinados decretos de interesse social para desapropriação dos territórios Graciosa, na Bahia; Tapinoã-Prodígio e Maria Joaquina, no Rio de Janeiro; e Morro do Boi, em Santa Catarina. Segundo a CONAQ, a medida beneficia outras 333 famílias.
Ao discursar no encontro, Lula associou o avanço da regularização fundiária à vontade política do Estado.
“O problema não é dinheiro, é decisão política. A pergunta não é quanto custa fazer; é quanto custa não fazer”, declarou o presidente.
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Lançamento do plano de proteção ‘CAFUNÉ’
As discussões do encontro pautaram o combate ao racismo ambiental. O evento sediou o lançamento do diagnóstico nacional “Vozes Quilombolas: Mulheres em Defesa do Clima”. O documento, construído pelas próprias moradoras dos territórios, sistematiza os impactos da crise ecológica nas comunidades e propõe soluções de preservação baseadas no conhecimento tradicional.
Como resposta ao avanço dos conflitos agrários, a CONAQ lançou o Plano Emergencial para Mulheres Ameaçadas em seus Territórios. A iniciativa incluiu a exibição do documentário institucional “CAFUNÉ”. A jornalista Maju Coutinho participou de uma roda de conversa em homenagem às guardiãs dos biomas nacionais.
O encontro também exibiu uma exposição fotográfica curada pelo Coletivo de Comunicação da CONAQ. A mostra homenageou a ialorixá baiana Mãe Bernadete Pacífico, assassinada em 2023.
Diálogo internacional e balanço do movimento
O encontro recebeu representantes do Quênia e do Senegal pela primeira vez, além de delegações de seis nações da América Latina. A articulação com a diáspora africana consolidou as mulheres quilombolas como figuras centrais na formulação de políticas públicas sobre clima, democracia e direitos humanos.
Maria Rosalina, cofundadora da CONAQ e integrante do Coletivo de Mulheres, avaliou o evento.
“Foi um marco dentre todas as atividades que já fizemos. Podemos dizer que saímos reabastecidas de energia e com alguns sonhos realizados nesses 30 anos de trajetória, missão, busca, lutas, desafios, perdas e conquistas. Finalizamos este encontro com a certeza de que estamos no caminho certo, de que ainda há muito para ser feito e não vamos parar”, concluiu em nota à imprensa.
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