A Polícia Federal (PF) iniciou uma investigação sobre o envio de uma emenda parlamentar pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma ONG suspeita de ter ligações com os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo na quarta-feira (20).
Segundo a reportagem, o repasse de R$ 199 mil foi realizado em novembro de 2023 ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). O valor foi destinado um mês após um assessor de Domingos Brazão, do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ), ter procurado o gabinete de Bolsonaro. A PF busca saber se a transferência integra um esquema de desvio de verbas públicas da família Brazão.
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A organização ocupa uma sala comercial no bairro Taquara, na Zona Oeste da capital fluminense, área de influência dos irmãos Brazão. O envio teria sido intermediado pelo policial militar da reserva Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, também condenado pela morte da vereadora do PSOL. A investigação teve início após a quebra do sigilo telefônico do militar.
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No celular de Calixto, a Polícia Federal identificou uma troca de mensagens com a assessora do gabinete do senador em 24 de outubro de 2023. De acordo com a apuração do O Globo, em novembro do mesmo ano o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro destinou a emenda à entidade.
A apuração teria apontado que Peixe solicitou o depósito de R$ 100 mil à ONG, em uma conta da empresa que tem sua filha como única sócia. Parte do dinheiro, aponta a prestação de contas da Ifop, foi destinada a uma empresa em nome da dirigente de outra ONG.
Peixe ainda teria concedido à assessora do senador quatro ingressos para o desfile das campeãs do Carnaval de 2026, no Sambódromo do Rio. Em nota à imprensa, Flávio Bolsonaro afirmou não ser papel do parlamentar auditar a utilização de suas emendas por terceiros.