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Partidos pedem cassação de Flávio Bolsonaro por relação financeira com Banco Master

Para o PSOL e a Rede, as negociações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, reveladas pelo Intercept Brasil, configura abuso das prerrogativas parlamentares
O senador brasileiro e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em coletiva de imprensa, no dia 19 de março de 2026.

O senador brasileiro e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro em coletiva de imprensa, no dia 19 de março de 2026.

— Daniel Ramalho/AFP

14 de maio de 2026

Os partidos PSOL e Rede protocolaram, nesta quinta-feira (14), um pedido de cassação do mandato do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por quebra de decoro parlamentar.

A ação cita negociações financeiras para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A solicitação foi encaminhada ao Conselho de Ética do Senado. 

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De acordo com informações reveladas pelo Intercept Brasil, na quarta-feira (13), o senador pediu dinheiro e pressionou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso preventivamente acusado esquema de fraudes financeiras, para realizar pagamentos. Vorcaro também é investigado por lavagem de dinheiro. 

A reportagem revelou que, entre fevereiro e maio de 2025, o banqueiro pagou R$ 61 milhões ao senador, montante que teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos de um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Questionado por jornalistas, Flávio Bolsonaro negou as negociações com Vorcaro. 

Leia mais: ‘Verdade veio à tona’: deputados negros reagem à negociação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro

No entanto, após a repercussão da reportagem, o parlamentar divulgou um vídeo em que confirmava o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, mas negou irregularidades e afirmou não ter “relações espúrias” com o preso. 

Para os partidos, houve abuso das prerrogativas parlamentares e possível obtenção de vantagens indevidas a partir do cargo ocupado, prática incompatível com a função pública. 

O pedido de cassação conta com o apoio de senadores das bancadas federais dos dois partidos e defende que Flávio Bolsonaro utilizou o peso político do mandato para negociar quantias milionárias com um empresário investigado por fraude bancária.

A representação destaca que há indícios de utilização da estrutura e da influência política para beneficiar um projeto político ligado à família do ex-presidente. 

As legendas ainda solicitam a adoção de medidas investigativas, comunicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e articulação com a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. 

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República para a inclusão de Flávio Bolsonaro no inquérito do Master e investigação de possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

“É inaceitável que um senador da República mantenha uma relação como essa, e é extremamente suspeito que Flávio Bolsonaro diga as palavras ‘estarei contigo sempre’ para Vorcaro um dia antes de o banqueiro ser preso por causar um rombo de R$ 47 bilhões”, afirmou em nota à imprensa. 

Leia mais: Operações imobiliárias de cunhado de Vorcaro apontam para esquema de lavagem de dinheiro

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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