Os partidos PSOL e Rede protocolaram, nesta quinta-feira (14), um pedido de cassação do mandato do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por quebra de decoro parlamentar.
A ação cita negociações financeiras para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A solicitação foi encaminhada ao Conselho de Ética do Senado.
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De acordo com informações reveladas pelo Intercept Brasil, na quarta-feira (13), o senador pediu dinheiro e pressionou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso preventivamente acusado esquema de fraudes financeiras, para realizar pagamentos. Vorcaro também é investigado por lavagem de dinheiro.
A reportagem revelou que, entre fevereiro e maio de 2025, o banqueiro pagou R$ 61 milhões ao senador, montante que teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos de um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Questionado por jornalistas, Flávio Bolsonaro negou as negociações com Vorcaro.
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No entanto, após a repercussão da reportagem, o parlamentar divulgou um vídeo em que confirmava o pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, mas negou irregularidades e afirmou não ter “relações espúrias” com o preso.
Para os partidos, houve abuso das prerrogativas parlamentares e possível obtenção de vantagens indevidas a partir do cargo ocupado, prática incompatível com a função pública.
O pedido de cassação conta com o apoio de senadores das bancadas federais dos dois partidos e defende que Flávio Bolsonaro utilizou o peso político do mandato para negociar quantias milionárias com um empresário investigado por fraude bancária.
A representação destaca que há indícios de utilização da estrutura e da influência política para beneficiar um projeto político ligado à família do ex-presidente.
As legendas ainda solicitam a adoção de medidas investigativas, comunicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e articulação com a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República para a inclusão de Flávio Bolsonaro no inquérito do Master e investigação de possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
“É inaceitável que um senador da República mantenha uma relação como essa, e é extremamente suspeito que Flávio Bolsonaro diga as palavras ‘estarei contigo sempre’ para Vorcaro um dia antes de o banqueiro ser preso por causar um rombo de R$ 47 bilhões”, afirmou em nota à imprensa.
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