O Feira Preta Festival reuniu mais de 30 mil pessoas ao longo de três dias de programação gratuita na região portuária do Rio de Janeiro. Ocupando pontos emblemáticos como o Píer Mauá, o Armazém Kobra e o circuito histórico da Pequena África entre os dias 29 e 31 de maio, o evento reafirmou sua posição como a principal plataforma de economia criativa e cultura afro-diaspórica do país.
Além de celebrar a ancestralidade e a inovação negra, o festival funcionou como um motor de impacto econômico. A estimativa da organização aponta para uma projeção de movimentação financeira de até R$ 8 milhões em vendas realizadas ao longo do evento, impulsionando diretamente fornecedores, artistas, prestadores de serviço e os cerca de 150 empreendedores de diversos estados que apresentaram suas marcas e produtos.
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“Retornar ao Rio depois de 10 anos é reconhecer a força desse território na formação da cultura negra brasileira. A Pequena África é um símbolo vivo de memória e resistência, mas também de futuro. Ver essa engrenagem girar, gerando circulação monetária e prosperidade para os nossos, é a confirmação de que a força da cultura preta move economias, redes e realidades. Mostramos, mais uma vez, que quando a economia preta se encontra, ela projeta novas possibilidades de desenvolvimento e cria futuros”, diz Adriana Barbosa, fundadora do Feira Preta Festival.
Grandes debates e potência empreendedora
O último dia de programação, no domingo (31), foi marcado por debates de alto impacto e forte circulação de público na feira de empreendedores, que reuniu moda, gastronomia, design e literatura autoral. Entre os grandes destaques dos talks, o painel “Travessias Negras: encontros com a própria história” trouxe o humorista e ator Paulo Vieira e Rei Black ao palco Zungu do Armazém 1 para uma reflexão profunda e bem-humorada sobre identidade, memória e trajetórias pessoais.
“A Feira Preta é uma iniciativa importante, que se mantém todos os anos e que desperta em nós essa vontade de está em comunidade. Essas ações que são oficiais da nossa comunidade são muito importantes. Fiquei muito feliz de ver a quantidade de crianças aqui, fiquei pensando: cara, se algum dia eu tiver um filho, vou trazer ele aqui, vai crescer aqui. É muito importante isso, ver o nosso povo, reunir a comunidade. É a coisa mais linda!”, explicou o ator.
“Toda cultura brasileira tem fundamento religioso. O samba, o carnaval, o maracatu, o boi. Toda a cultura brasileira é baseada na espiritualidade. E isso foi de uma sabedoria e de uma tecnologia tão linda, que o negro brasileiro hoje, mesmo que não seja um cara espiritualizado, está vivendo a sua espiritualidade quando vai no samba, quando vai em uma roda, em uma catira, no coco, em uma congada. A gente espalhou a nossa espiritualidade por toda a nossa cultura”, concluiu.
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Encontros históricos encerram a noite no palco
A despedida musical do festival foi um tributo vibrante ao protagonismo feminino negro e às gerações que constroem a música brasileira. O Palco Pedra do Sal, no Armazém Kobra, foi cenário de apresentações memoráveis que emocionaram a multidão.
A mestre do samba Leci Brandão subiu ao palco comandando um encontro geracional ao convidar as cantoras Marina Iris e Geovana. Logo em seguida, o encerramento oficial do festival ficou por conta de Teresa Cristina, que dividiu o microfone com as consagradas Áurea Martins e Rita Beneditto, em uma celebração emocionante à resistência cultural e à ancestralidade.
“Fazer show na Feira Preta é uma forma de se lembrar da vida desses mais de 80 anos. Não é a primeira vez que me apresento no evento, mas aqui no Rio de Janeiro é sempre diferente. Espero que, com a minha trajetória e com a minha arte, eu tenha conseguido ajudar as pessoas que estão na periferia, na favela e na roda”, compartilhou Leci.
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