Os hospitais da África Subsaariana enfrentam risco de ficar sem o principal anestésico usado em cirurgias pediátricas. A previsão indica que os estoques de halotano podem se esgotar até o final de 2027.
A informação partiu da Smile Train, organização beneficente que realiza mais de 100 mil cirurgias por ano para correção de fissura labiopalatina, 90% delas em crianças.
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O halotano continua sendo o anestésico mais usado em cirurgias infantis na região. O medicamento custa entre sete e dez vezes menos que o sevoflurano, alternativa que substituiu o halotano na maior parte do mundo. O último fabricante do produto encerrou suas atividades na Índia em 2023. As reservas existentes se esgotam rapidamente.
“Não sabemos exatamente quando, mas poderíamos ficar sem halotano até o fim de 2027”, afirmou a médica Elizabeth Igaga, anestesiologista da Smile Train em Uganda.
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“Pânico nacional” na Zâmbia
Na Zâmbia, a notícia sobre o fim da produção provocou reação entre profissionais da saúde. O médico Sompwe Mwansa, presidente da Sociedade de Anestesistas do país, afirmou que o anúncio causou “pânico nacional”.
A Federação Mundial de Sociedades de Anestesiologistas pediu em 2024 que governos africanos reservassem recursos para a transição. A entidade alertou que a substituição do halotano pode representar milhões de dólares em custos adicionais para países com orçamentos de saúde limitados.
Todo esse cenário de escassez ocorre em um período de redução da ajuda internacional enviada por países ocidentais nos últimos 18 meses, segundo organizações que acompanham o financiamento da saúde no continente.
“É muito possível que isso resulte em uma redução da nossa capacidade cirúrgica”, afirmou Mwansa.
A preocupação envolve o acesso a procedimentos que dependem de anestesia, incluindo cirurgias para correção de fissura labiopalatina e outros atendimentos pediátricos. A redução da oferta de anestésicos pode ampliar dificuldades já enfrentadas por hospitais que lidam com restrições de recursos.
A Smile Train participa de ações para apoiar a mudança, mas defende que governos africanos assumam a condução do processo.
“Estamos felizes em apoiar, mas também precisamos que eles façam a parte deles”, disse Igaga.
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