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Políticos cobram apuração de agressão a adolescente em Carrefour de Porto Alegre

Matheus Gomes e Manuela d'Ávila, do PSOL Rio Grande do Sul, defendem a investigação do caso e a responsabilização dos envolvidos
Policial agride adolescente em Carrefour de Porto Alegre. Vídeo é de 2024, e foi obtido com exclusividade pela Alma Preta.

Policial agride adolescente em Carrefour de Porto Alegre. Vídeo é de 2024, e foi obtido com exclusividade pela Alma Preta.

— Reprodução/Alma Preta e Reprodução/Redes sociais

1 de julho de 2026

Políticos do Rio Grande do Sul se manifestaram sobre o espancamento do adolescente Jonas de Lima dentro de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre. O caso foi revelado por reportagem da Alma Preta na última terça-feira (30).

O deputado estadual Matheus Gomes (PSOL-RS) e a ex-deputada federal Manuela d’Ávila cobraram a apuração do caso, defenderam a responsabilização dos envolvidos e citaram o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado pela rede de supermercados após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, conhecido como Beto Freitas, em 2020.

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A reportagem apresenta relatos da família de Jonas sobre a abordagem ocorrida em 8 de junho de 2024 na unidade do Carrefour localizada no bairro Partenon, em Porto Alegre. 

Segundo a denúncia, o adolescente, a mãe Juliana Campos, e outros familiares sofreram agressões físicas, ofensas racistas e humilhações após serem acusados de furtar produtos. 

Conforme informações da reportagem, o funcionário que fez a acusação admitiu que nem ele nem o sistema de segurança registraram qualquer furto.

Em publicação em rede social,  Matheus Gomes afirmou que o episódio representa mais um caso de violência racial associado ao Carrefour e relembrou os compromissos assumidos pela empresa após a morte de Beto Freitas.

Segundo o parlamentar, o acordo firmado à época estabeleceu, entre outros pontos, a proibição da perseguição de pessoas negras nos estabelecimentos e a limitação do acionamento da polícia a situações extremas. Para ele, os fatos denunciados pela família devem ser investigados sob essa perspectiva.

“O Carrefour vê toda pessoa negra como uma ameaça. Quando eles agridem, acusam e proferem palavras racistas, não estamos falando de casos isolados”, publicou em seu perfil nas redes sociais.

Matheus Gomes também informou que encaminhará o caso à Comissão de Segurança e Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS)

Leia mais: Adolescente é espancado em Carrefour de Porto Alegre; cena lembra morte de Beto Freitas em 2020

Pré-candidata ao Senado pede justiça para família e lembra caso Beto Freitas

A ex-deputada federal Manuela d’Ávila compartilhou a reportagem em rede social e afirmou que as denúncias remetem ao assassinato de João Alberto Freitas, espancado e morto por seguranças do Carrefour em 2020.

Na publicação, d’Ávila destacou que a Justiça do Rio Grande do Sul analisa se houve violação do Termo de Ajustamento de Conduta firmado pela empresa após aquele caso. Segundo ela, o acordo previa a proibição do “monitoramento ostensivo de pessoas negras”, de práticas racistas e do acionamento da polícia fora de situações excepcionais.

“Seis anos depois, seguimos diante de denúncias que nos fazem perguntar: o que realmente mudou? Justiça para Jonas e sua família. Memória para Beto. E compromisso verdadeiro com uma sociedade onde vidas negras importem todos os dias, e não apenas quando a indignação vira manchete”, escreveu.

Acordo firmado após a morte de Beto Freitas

As manifestações de Matheus Gomes e Manuela d’Ávila fazem referência ao Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo Carrefour após a morte de João Alberto Freitas, ocorrida em 19 de novembro de 2020, em uma outra unidade da rede na capital gaúcha.

Entre as medidas previstas no acordo estão o combate a práticas racistas nas lojas, a adoção de protocolos para evitar abordagens discriminatórias e a restrição do acionamento das forças policiais.

De acordo com a reportagem, o Instituto Caminho – Raça e Acesso à Justiça, que acompanha o caso da família de Jonas, sustenta que os fatos denunciados podem indicar descumprimento das obrigações assumidas pela empresa no TAC firmado após a morte de João Alberto Freitas.

Leia mais: Justiça restabelece motivação racial como qualificadora em morte de homem negro no Carrefour

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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