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Após reportagem, Carrefour rompe contrato com empresa envolvida na morte de Beto Freitas

A Alma Preta noticiou em maio de 2023 que empresa de segurança trocou de nome e, em seguida, firmou novo contrato com o Grupo Carrefour. Rompimento teria acontecido no mês seguinte ao da reportagem.
Empresas do grupo Carrefour contratam mesma empresa cujos funcionários agrediram Beto

Empresas do grupo Carrefour contratam mesma empresa cujos funcionários agrediram Beto Freitas em Porto Alegre.

— Pedro Borges/Alma Preta

9 de julho de 2026

O Carrefour afirmou que rompeu contratos de prestação de serviço com a Cordialle, responsável pelos profissionais de segurança da unidade do bairro Passo D’Areia, zona norte de Porto Alegre (RS). A empresa está diretamente envolvida na morte de João Alberto Freitas, assassinado em 19 de novembro de 2020.

Na data, Beto Freitas foi ao supermercado fazer compras com a esposa. Após desentendimento e ofensas, seguranças privados espancaram e sufocaram o homem até a morte. Esses profissionais eram empregados de uma empresa terceirizada que se chamava Vector.

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Após a repercussão da morte de Beto, ainda em 2020, o Carrefour chegou a anunciar o fim do contrato com a Vector. Mas, em 2021, a empresa mudou sua razão social de Vector Segurança Patrimonial LTDA. para Cordialle Segurança Patrimonial LTDA.

A Alma Preta noticiou em maio de 2023 que, após a troca de nomes, a mesma empresa firmou um novo contrato com o Grupo Carrefour. 

A rede varejista afirmou em nota que, um mês após a reportagem, comunicou a Cordialle e encerrou o contrato.

“Assim que a companhia identificou que a empresa Cordialle integrava o mesmo grupo econômico da empresa Vector, em reportagem de 5 de maio de 2023, reconheceu o erro e encerrou prontamente o contrato. Em 7 de maio de 2023, a empresa foi formalmente comunicada da rescisão contratual, tendo o último dia de prestação de serviços ocorrido em 7 de junho de 2023”, afirmou o Carrefour.

A Cordialle não retornou ao pedido de posicionamento da Alma Preta por escrito. Entrentanto, o setor de RH da empresa de segurança confirmou, por telefone, que a empresa não presta mais serviço para a rede de supermercados. 

Cordialle prestou serviço ao Carrefour em várias capitais

A Cordialle assumiu o serviço de vigilância do Carrefour nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Recife, Goiânia, Brasília, Natal, João Pessoa e Fortaleza. A Cordialle também prestava serviços de segurança no Rio Grande do Sul, onde ocorreu o assassinato de João Alberto Freitas.

Em nota enviada para a reportagem, o Carrefour considerou a recontratação como um “erro”.

“A empresa também esclarece que não possui qualquer relação contratual com a Cordialle ou com empresas associadas ao seu grupo econômico. Assim que a companhia identificou que a Cordialle era a Vector — contratada sob um novo nome por alguns meses em 2023 — reconheceu o erro e encerrou imediatamente o contrato”, afirmou.

A Cordialle chegou a tirar de suas redes sociais um post de 4 de julho de 2022 sobre uma parceria com o Atacadão, que também integra o Grupo Carrefour. Na época, a empresa de segurança descreveu o ato como um “grande momento”.

Empresa de segurança também assinou TAC

Assim como o Carrefour, a Vector assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Defensoria Pública do Rio Grande do Sul. O acordo aconteceu em novembro de 2021, e o valor foi de R$ 1,7 milhão. 

Os termos do acordo confirmam que o grupo Vector empregava os dois seguranças que agrediram Beto: Magno Borges e Giovane da Silva.

No acordo, não há qualquer impedimento legal para que a Cordialle prestasse serviços para outras unidades do Carrefour ou para outra empresa.

Edição: Camila Rodrigues da Silva.

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  • Pedro Borges

    Pedro Borges é cofundador, editor-chefe da Alma Preta. Formado pela UNESP, Pedro Borges compôs a equipe do Profissão Repórter e é co-autor do livro "AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar", vencedor do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Artes.

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