O Carrefour afirmou que rompeu contratos de prestação de serviço com a Cordialle, responsável pelos profissionais de segurança da unidade do bairro Passo D’Areia, zona norte de Porto Alegre (RS). A empresa está diretamente envolvida na morte de João Alberto Freitas, assassinado em 19 de novembro de 2020.
Na data, Beto Freitas foi ao supermercado fazer compras com a esposa. Após desentendimento e ofensas, seguranças privados espancaram e sufocaram o homem até a morte. Esses profissionais eram empregados de uma empresa terceirizada que se chamava Vector.
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Após a repercussão da morte de Beto, ainda em 2020, o Carrefour chegou a anunciar o fim do contrato com a Vector. Mas, em 2021, a empresa mudou sua razão social de Vector Segurança Patrimonial LTDA. para Cordialle Segurança Patrimonial LTDA.
A Alma Preta noticiou em maio de 2023 que, após a troca de nomes, a mesma empresa firmou um novo contrato com o Grupo Carrefour.
A rede varejista afirmou em nota que, um mês após a reportagem, comunicou a Cordialle e encerrou o contrato.
“Assim que a companhia identificou que a empresa Cordialle integrava o mesmo grupo econômico da empresa Vector, em reportagem de 5 de maio de 2023, reconheceu o erro e encerrou prontamente o contrato. Em 7 de maio de 2023, a empresa foi formalmente comunicada da rescisão contratual, tendo o último dia de prestação de serviços ocorrido em 7 de junho de 2023”, afirmou o Carrefour.
A Cordialle não retornou ao pedido de posicionamento da Alma Preta por escrito. Entrentanto, o setor de RH da empresa de segurança confirmou, por telefone, que a empresa não presta mais serviço para a rede de supermercados.
Cordialle prestou serviço ao Carrefour em várias capitais
A Cordialle assumiu o serviço de vigilância do Carrefour nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Recife, Goiânia, Brasília, Natal, João Pessoa e Fortaleza. A Cordialle também prestava serviços de segurança no Rio Grande do Sul, onde ocorreu o assassinato de João Alberto Freitas.
Em nota enviada para a reportagem, o Carrefour considerou a recontratação como um “erro”.
“A empresa também esclarece que não possui qualquer relação contratual com a Cordialle ou com empresas associadas ao seu grupo econômico. Assim que a companhia identificou que a Cordialle era a Vector — contratada sob um novo nome por alguns meses em 2023 — reconheceu o erro e encerrou imediatamente o contrato”, afirmou.
A Cordialle chegou a tirar de suas redes sociais um post de 4 de julho de 2022 sobre uma parceria com o Atacadão, que também integra o Grupo Carrefour. Na época, a empresa de segurança descreveu o ato como um “grande momento”.
Empresa de segurança também assinou TAC
Assim como o Carrefour, a Vector assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Defensoria Pública do Rio Grande do Sul. O acordo aconteceu em novembro de 2021, e o valor foi de R$ 1,7 milhão.
Os termos do acordo confirmam que o grupo Vector empregava os dois seguranças que agrediram Beto: Magno Borges e Giovane da Silva.
No acordo, não há qualquer impedimento legal para que a Cordialle prestasse serviços para outras unidades do Carrefour ou para outra empresa.
Edição: Camila Rodrigues da Silva.