O Coletivo Quizumba, referência na pesquisa do teatro para infâncias e juventudes a partir de perspectivas afrocentradas e decoloniais, apresenta “ALGORIKI – e se você saísse?” no Complexo Funarte SP, onde ocupa a Sala Renée Gumiel, até 9 de agosto. Em seguida, o espetáculo segue para o Teatro Alfredo Mesquita, com apresentações de 15 a 30 de agosto. Todas as sessões são gratuitas, com distribuição de ingressos uma hora antes do início do espetáculo.
Com direção de Thais Dias e dramaturgia de Tadeu Renato, ALGORIKI reúne em cena Camila Andrade (Ayrá), Jefferson Matias (Ayó), Kleiton Breda (Obá) e Bel Borges (Kossi). A montagem acompanha quatro crianças que vivem no mesmo prédio, mas só se conhecem quando um apagão interrompe toda a conexão com a internet e as obriga a deixar, pela primeira vez, a segurança de seus apartamentos.
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Guiados por Kossi, uma criança misteriosa que conhece caminhos invisíveis, Ayó, Ayrá e Obá iniciam uma travessia por um edifício que parece mudar de forma a cada andar. Corredores, escadas, memórias e desafios conduzem o grupo até uma descoberta surpreendente: o maior mistério não é o fim do wi-fi, mas o desaparecimento da própria rua.
Ao longo desse percurso, jogos eletrônicos, algoritmos, redes sociais, histórias ancestrais e encontros presenciais coexistem em uma narrativa fantástica que convida o público a refletir sobre as formas contemporâneas de comunicação, sem estigmatizar a tecnologia.
Em vez de opor mundo virtual e mundo real, a peça pergunta o que se perde quando o brincar, a experiência compartilhada, o corpo e o encontro deixam de ocupar espaço na vida cotidiana.
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A dramaturgia nasceu de uma pesquisa iniciada há anos pelo coletivo sobre o itan iorubá “O Chapéu de Duas Cores”, história tradicional que questiona verdades absolutas e diferentes pontos de vista. Ao longo do processo de criação, porém, a investigação ganhou novos contornos e passou a dialogar com a maneira como os algoritmos, as telas e redes sociais influenciam a construção da identidade, dos afetos e da percepção do mundo entre crianças e adolescentes.
O próprio título da peça sintetiza esse encontro entre ancestralidade e contemporaneidade: “ALGORIKI ” reúne as palavras “algoritmo” e “oriki”, forma poética da tradição iorubá utilizada para celebrar identidades e trajetórias.
A pesquisa sobre as culturas africanas atravessa toda a encenação, mas sem representar literalmente os orixás em cena. Seus arquétipos servem de base para a construção dramatúrgica dos personagens, das relações, da musicalidade e da linguagem corporal, articulando uma investigação estética desenvolvida pelo Quizumba desde sua fundação, há 18 anos.
Essa pesquisa também se manifesta na cena por meio da capoeira angola, da música executada ao vivo e de canções autorais. Com direção musical de Bel Borges, a trilha contrapõe sons eletrônicos, como notificações, efeitos digitais e paisagens sonoras inspiradas no universo gamer, a instrumentos acústicos e orgânicos, reforçando o diálogo entre tecnologia e presença que conduz toda a narrativa.
Pensado para crianças a partir de oito anos, mas aberto a públicos de todas as idades, o espetáculo propõe uma experiência em que fantasia, humor, música e aventura conduzem uma pergunta simples e profundamente atual: em um mundo cada vez mais conectado, ainda sabemos encontrar uns aos outros?
Serviço
Espetáculo: ALGORIKI – e se você saísse?
Quando: De 17 de julho a 9 agosto, sexta a domingo, às 16h | Dias 1 e 8 de agosto, sessões duplas às 14h e 16h
Onde: Complexo Funarte SP | Sala Reneè Gumiel – Alameda Nothmann, 1058, Campos Elíseos, São Paulo, SP
Quando: De 15 a 30 de agosto, sábado e domingo, às 16h
Onde: Teatro Alfredo Mesquita | Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo, SP
Recomendação: 8 anos
Duração: 60 minutos
Entrada: Gratuita – Retirada de ingressos 1 hora antes