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Em meio a denúncias de racismo, Universidade da Argentina amplia ensino sobre direitos dos negros

Faculdade de Direito da UBA oferece desde 2021 a primeira matéria com perspectiva afro do país; curso foi projetado por ativistas negros e é ministrado por professores negros
Prédio da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires.

Prédio da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires.

— Reprodução/UBA

23 de julho de 2026

A Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA), uma das mais prestigiadas da América Latina, oferece desde 2021 a disciplina “Direitos das comunidades negras na Argentina desde uma perspectiva afro”.

A matéria, que ganhou novo destaque em meio às ondas de ataques racistas feitas por argentinos durante a Copa do Mundo de 2026, foi a primeira com perspectiva antirracista na instituição. O curso foi projetado por membros da comunidade afro-argentina e é ministrado exclusivamente por ativistas negros vinculados à academia.

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A iniciativa resulta da articulação entre a Organização de Afrodescendentes para a Formação e o Assessoramento Jurídico (OAFRO), a Comissão 8 de Novembro, o coletivo Xangô e a Sociedade de Socorros Mútuos “Unión Caboverdeana”. A proposta foi apresentada em 2021 e foi um marco histórico na universidade, sendo a primeira cátedra com essa perspectiva no país.

Entre os principais articuladores da criação da disciplina estão o advogado e ativista antirracista Alí Emmanuel Delgado, integrante da OAFRO, da Comissão 8 de Novembro e do coletivo Xangô, e a advogada Patricia Gomes, ativista afrofeminista vinculada à Sociedade de Socorros Mútuos União Caboverdeana, à Comissão 8 de Novembro e à OAFRO.

Segundo os organizadores, o objetivo principal da disciplina é combater o racismo predominante no ambiente universitário e na sociedade argentina. O eixo central da matéria é conscientizar os estudantes de que a Argentina também é afro, rompendo com o mito de que não há população negra no país. 

A iniciativa busca reconhecer, reparar e integrar os aportes das comunidades afro na história e cultura argentinas.

A comunidade afro na Argentina foi historicamente negada, invisibilizada e caricaturada. A abertura da UBA à perspectiva antirracista representa um avanço no reconhecimento da presença e contribuição das populações negras no país.

Leia mais: Movimento negro na Argentina denuncia racismo e busca apoio internacional

Curso virtual sobre história afro-argentina

Além da disciplina regular, a Cátedra “Derechos de las Comunidades Negras en Argentina desde una Perspectiva Afro” e a AFROJUS abriram inscrições para o curso virtual “Historia Afroargentina: de la invisibilización a la reconstrucción de la memoria” (“História Afro-Argentina: Da Invisibilidade à Reconstrução da Memória)”. 

A proposta pretende apresentar a presença das comunidades afro na história do país, analisar os processos que levaram à sua invisibilização e recuperar as trajetórias de protagonistas afro-argentinos a partir dos direitos humanos e do afrofeminismo.

O curso acontece aos sábados 5, 12, 19 e 26 de setembro de 2026, das 10h às 12h, em formato virtual. A atividade é paga e tem vagas limitadas. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail [email protected] ou pelo perfil da AFROJUS nas redes sociais.

Leia mais: ‘Isso é Argentina, macaco’: repórter brasileiro sofre racismo ao cobrir final da Copa

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