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Cinco cineastas que transformam vivências negras em potência no audiovisual 

Obras dirigidas por mulheres negras celebram ancestralidade, memória, resistência e protagonismo feminino nas telas
A diretora de cinema Juh Almeida.

A diretora de cinema Juh Almeida.

— Reprodução/Redes sociais

25 de julho de 2026

Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reconhece a luta histórica das mulheres negras contra o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais, além de valorizar suas contribuições para a cultura, a política, a ciência e as artes em toda a América Latina e no Caribe.

Para marcar a data, Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) reúne cinco obras dirigidas por cineastas que, por meio de diferentes linguagens e narrativas, reafirmam a potência criativa das mulheres negras e sua contribuição para o fortalecimento do audiovisual brasileiro.

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No audiovisual, mais do que ampliar a representatividade nas telas, as mulheres negras têm impulsionado uma transformação no cinema brasileiro. À frente da direção, do roteiro, da produção e da pesquisa, essas profissionais desafiam estruturas historicamente excludentes, constroem novas narrativas sobre a população negra e ampliam a diversidade de olhares no setor.

Com obras que circulam por festivais nacionais e internacionais, plataformas de streaming e salas de cinema, elas consolidam um audiovisual mais plural, inovador e conectado à realidade do país.

Ao colocar mulheres negras como protagonistas, diante e atrás das câmeras, essas cineastas rompem estereótipos, preservam memórias, valorizam ancestralidades e apresentam novas perspectivas sobre identidade, pertencimento, afeto, território e resistência.

Leia mais: Audiovisual brasileiro instrumentaliza o negro e concentra poder na mão de brancos, diz pesquisadora

Confira as cinco cineastas indicadas pela APAN e suas respectivas obras a seguir:

1. Juh Almeida – “Eu, Negra” (2022)

Foto de capa

Com uma estética afrocentrada e sensível, Juh Almeida constrói narrativas que unem espiritualidade, afetividade e identidade da mulher negra.

Em Eu, Negra, a diretora propõe uma experiência poética sobre o reconhecimento de si e a força da ancestralidade feminina, encerrando uma trilogia autoral iniciada com Náufraga e Irun Orí.

2. Joyce Prado – “Chico Rei Entre Nós” (2020)

Créditos: Reprodução/Redes sociais

Referência do audiovisual negro brasileiro, Joyce Prado dedicou sua trajetória à construção de narrativas sobre ancestralidade, identidade e diáspora africana.

Em Chico Rei Entre Nós, a diretora parte da história do lendário rei congolês escravizado que conquistou sua liberdade para estabelecer um diálogo entre passado e presente, refletindo sobre racismo estrutural, memória e resistência da população negra.

Falecida em 2025, Joyce deixou um legado fundamental para o cinema brasileiro, inspirando novas gerações de realizadores e reafirmando o audiovisual como ferramenta de preservação da memória e transformação social.

3. Juliana Vicente – “Diálogos com Ruth de Souza” (2022)

Créditos: Reprodução/Redes sociais

Diretora, roteirista e produtora, Juliana Vicente presta homenagem à trajetória de Ruth de Souza, pioneira da televisão e do cinema brasileiros.

Construído a partir de conversas registradas ao longo de uma década, o documentário conecta memória, cultura afro-brasileira e o protagonismo das mulheres negras na história do audiovisual nacional.

4. Glenda Nicácio – “Café com Canela” (2017)

Créditos: Reprodução/Redes sociais

Premiado em diversos festivais, Café com Canela acompanha o encontro entre duas mulheres marcadas por diferentes experiências de vida, tendo a cidade baiana de Cachoeira como personagem central da narrativa.

Dirigido por Glenda Nicácio, o longa aborda afeto, luto, cuidado e reconstrução a partir de personagens negras complexas e profundamente humanas.

5. Ana Clara Gomes – “Diaspóricas” (2024)

Créditos: Reprodução/Redes sociais

Idealizada e dirigida por Ana Clara GomesDiaspóricas é uma série documental premiada que celebra o protagonismo de mulheres negras na música brasileira.

Ao reunir artistas de diferentes territórios, a produção evidencia a força da ancestralidade, da criação artística e das experiências compartilhadas por mulheres negras, reafirmando o papel da cultura como instrumento de resistência e transformação social.

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