Afrotecas são inauguradas no Pará com foco na educação antirracista desde a infância

Com apoio do Ministério da Igualdade Racial, unidades atendem mais de 400 crianças e fortalecem políticas afirmativas na Amazônia Paraense
Foto de uma criança e sua professora.

Foto de uma criança e sua professora.

— Reprodução/Ministério da Igualdade Racial

3 de junho de 2025

O Ministério da Igualdade Racial (MIR) inaugurou, em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), duas novas unidades de Afrotecas no estado. A unidade Kiriku foi aberta em 29 de maio no município de Belterra. No dia seguinte, foi inaugurada a unidade Bucala, em Santarém. O investimento total do MIR para a expansão da iniciativa é de aproximadamente R$ 700 mil.

As Afrotecas são tecnologias sociais voltadas para a valorização da diversidade étnico-racial e o enfrentamento ao racismo na educação infantil. O projeto é uma resposta prática às exigências das Leis n.º 10.639/2003 e n.º 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas.

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Os espaços são compostas por livros, brinquedos, jogos e instrumentos musicais voltados à promoção do pertencimento racial e da valorização das identidades negras, quilombolas, indígenas e afro-brasileiras. 

A proposta nasceu de pesquisas doGrupo de Pesquisa em Literatura, História e Cultura Africana, Afro-Brasileira, Afro-Amazônica e Quilombola (AFROLIQ) da Ufopa, que desenvolveu a estrutura como uma intervenção pedagógica com base em diagnósticos sobre o impacto do racismo na infância.

Formação desde a primeira infância

A Afroteca Kiriku foi instalada na Escola Municipal Vitalina Motta, na zona rural de Belterra. O nome é inspirado na lenda africana do bebê guerreiro Kiriku. Já a Afroteca Bucala está localizada na Escola Municipal Nossa Senhora do Livramento, na comunidade quilombola Saracura, em Santarém, e homenageia a personagem criada por Davi Nunes, uma princesa negra do Quilombo do Cabula.

Com essas inaugurações, o projeto passa a atender 402 crianças: 300 na unidade Kiriku e 110 na Bucala, beneficiando cerca de 380 famílias.

A professora Leila Jane de Guimarães, mulher preta e quilombola da comunidade Saracura, foi uma das responsáveis pela implementação da Afroteca Bucala. Ela estudou e lecionou na escola onde agora coordena o projeto. 

“Nosso compromisso é educar para as relações raciais desde a primeira infância”, afirmou em nota ministerial. Ela também destacou que todo o processo foi realizado com a participação da comunidade, que contribuiu ativamente com as decisões sobre a estrutura e os materiais do espaço.

Além das três unidades já inauguradas — Curumim, Kiriku e Bucala — o projeto prevê a abertura de mais três Afrotecas ainda em 2025. As novas instalações acontecerão no Quilombo Boa Vista (Oriximiná), em Monte Alegre e no Quilombo Pacoval (Alenquer), todas no estado do Pará.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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