A educadora e doutora em Educação, Luana Tolentino, lança na sexta-feira (8), seu primeiro livro infantil, “Mamãe aprendeu a ler”. A obra, publicada pela Mazza Edições, é inspirada na trajetória de sua mãe, Dona Enelita Canuto Teles dos Santos, conhecida como Dona Nelita, que começou a estudar aos 70 anos, depois de uma vida inteira marcada pela exclusão escolar.
O livro convida crianças e famílias a refletirem sobre o direito à educação e sobre o impacto da alfabetização na vida de pessoas adultas que, por diferentes razões, não puderam frequentar a escola na infância.
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As ilustrações de Anna Cunha, premiada nacional e internacionalmente, acompanham a delicadeza da narrativa e reforçam o caráter sensível da experiência. O projeto gráfico busca integrar palavra e imagem para aproximar o leitor da subjetividade das personagens, sem apagar as questões sociais que atravessam suas trajetórias.
A conquista da leitura
O livro aborda a realidade de milhares de lares brasileiros onde adultos não tiveram acesso à educação na infância. A narrativa acompanha a personagem Dora, uma filha que, embora triste por a mãe não conseguir ajudá-la no dever de casa, admira a sabedoria da matriarca, uma cozinheira que guardava todas as receitas na cabeça por não saber ler.
A história se transforma quando a mãe, aos 70 anos, decide que precisa aprender a ler e a escrever para acompanhar as mudanças do mundo. “Mamãe aprendeu a ler” retrata o processo de alfabetização na idade adulta, a dedicação da personagem e o encantamento com a descoberta das letras e palavras.
O livro narra a emoção da personagem ao poder, enfim, escrever recados e suas próprias receitas, um processo descrito pela autora como libertador. A obra retrata a alegria da filha, que se tornou doutora em educação, ao testemunhar a mãe “criar asas” e descobrir o mundo através da leitura.
Da história familiar ao debate público
Luana, mestra e doutora em Educação pela UFMG e referência em debates sobre antirracismo e políticas educacionais, destaca que o livro nasce de uma vivência afetiva e, ao mesmo tempo, de uma crítica estrutural.
“Mesmo sem ter ido à escola, minha mãe sempre existiu, sempre teve saberes e potência. Mas saber ler lhe abriu portas, ampliou horizontes e fortaleceu sua autonomia”, afirma a autora em nota à imprensa.
Dados publicados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), mostram que, em 2023, o Brasil tinha 9,3 milhões de pessoas analfabetas com 15 anos ou mais (5,4%). O livro reforça que o direito à educação não se encerra na infância e aponta para a necessidade de políticas públicas, acesso e acolhimento em programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Serviço
Lançamentos do livro “Mamãe aprendeu a ler”
Quando: 8 de novembro (em Belo Horizonte) e 29 de novembro (em São Paulo)
Onde: Belo Horizonte – Conservatório da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); São Paulo – Livraria Megafauna (Av. Ipiranga, 200 – loja 53 – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo – SP)
Já é possível encomendar o livro pelo site da Mazza Edições.