A presença da obra de Maíra Azevedo, mais conhecida como Tia Má, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro rendeu frutos emocionantes e simbólicos. O livro “A menina que não sabia que era bonita”, publicado pela Editora Malê, esteve entre os dez títulos mais vendidos da editora durante o evento, sinalizando não apenas o sucesso da autora, mas também a potência da literatura infantil como instrumento de transformação social.
Voltado ao público infantil, o livro é uma fábula sensível e poética sobre autoestima, pertencimento e identidade. Por meio de uma linguagem delicada e afetiva, a autora conduz o leitor por uma jornada de autodescoberta de uma menina negra que, em meio aos padrões impostos e aos silêncios da sociedade, aprende a reconhecer sua beleza, sua força e seu valor.
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Ao dar protagonismo a uma personagem com traços, cabelos e vivências tão pouco representadas na literatura tradicional, Maíra cria uma obra que acolhe e empodera — não só crianças negras, mas também educadores, famílias e leitores de todas as idades.
“Ver essa história entre as mais vendidas é mais do que um reconhecimento ao livro — é um sinal de que nossas crianças estão sendo vistas. É uma conquista coletiva. Escrevi essa história pensando na menina que eu fui, que muitas ainda são, e que precisam se reconhecer bonitas em um mundo que insiste em dizer o contrário”, afirma a escritora.
O destaque do livro na Bienal reforça a importância de narrativas diversas no cenário literário brasileiro e do papel das editoras independentes, como a Malê, no fortalecimento de vozes que historicamente foram marginalizadas. O sucesso de “A menina que não sabia que era bonita” não é apenas uma vitória editorial, mas uma afirmação de que existe, sim, um público sedento por histórias que dialoguem com a pluralidade da infância brasileira.