UNICEF e Ministério da Igualdade Racial criam materiais para proteger infâncias quilombolas e de terreiro

Oficinas na Bahia buscam produzir cadernos setoriais contra o racismo na primeira infância; novas publicações devem ser lançadas ainda em 2025
Crianças negras e adultos em um registro de uma das oficinas de primeira infância antirracista.

Crianças negras e adultos em um registro de uma das oficinas de primeira infância antirracista.

— Reprodução/UNICEF

16 de setembro de 2025

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) realizaram, nos dias 2 e 4 de setembro, oficinas de cocriação voltadas ao enfrentamento do racismo na primeira infância. As atividades ocorreram no Quilombo Caipora, em Simões Filho, e no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador.

As oficinas fazem parte da etapa técnica de elaboração de novos cadernos setoriais da estratégia Primeira Infância Antirracista (PIA), que atualmente conta com quatro publicações. A novidade será a inclusão de materiais dedicados às infâncias quilombolas e às infâncias de povos de terreiro.

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A metodologia utilizada foi baseada em escuta qualificada, reconhecimento territorial e participação direta de sujeitos envolvidos no cuidado e na proteção da infância. Segundo Maíra Souza, especialista em desenvolvimento infantil do UNICEF e idealizadora do PIA, a escolha pelo formato presencial buscou ampliar o alcance e respeitar as especificidades desses povos.

“Realizamos oficinas em Pernambuco, Olinda e Camaragibe, e agora na Bahia, em Simões Filho e Salvador. A cocriação sempre foi a base da estratégia, porque é ouvindo diretamente as comunidades que conseguimos construir materiais consistentes”, afirmou Maíra em comunicado da UNICEF.

Identidade e combate ao apagamento

Sarah Nascimento, coordenadora de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiro do MIR, destacou a necessidade de uma abordagem que reconheça as crianças como sujeitos de direitos, rompendo com o olhar adultocêntrico que muitas vezes invisibiliza a violência.

Para ela, crianças quilombolas e de terreiros enfrentam processos de apagamento que impactam diretamente suas identidades. “Há um conjunto de violências integradas que empurram essas crianças para a margem, desconstruindo sua autoestima e relegando-as a uma vida de iniquidades”, explicou.

Os dois novos cadernos do PIA serão publicados ainda em 2025 e estão alinhados a políticas nacionais como o Plano Nacional de Educação 2024-2034, que prevê ações afirmativas e antirracistas, além das diretrizes para a educação escolar quilombola e para as relações étnico-raciais.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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