O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) realizaram, nos dias 2 e 4 de setembro, oficinas de cocriação voltadas ao enfrentamento do racismo na primeira infância. As atividades ocorreram no Quilombo Caipora, em Simões Filho, e no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador.
As oficinas fazem parte da etapa técnica de elaboração de novos cadernos setoriais da estratégia Primeira Infância Antirracista (PIA), que atualmente conta com quatro publicações. A novidade será a inclusão de materiais dedicados às infâncias quilombolas e às infâncias de povos de terreiro.
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A metodologia utilizada foi baseada em escuta qualificada, reconhecimento territorial e participação direta de sujeitos envolvidos no cuidado e na proteção da infância. Segundo Maíra Souza, especialista em desenvolvimento infantil do UNICEF e idealizadora do PIA, a escolha pelo formato presencial buscou ampliar o alcance e respeitar as especificidades desses povos.
“Realizamos oficinas em Pernambuco, Olinda e Camaragibe, e agora na Bahia, em Simões Filho e Salvador. A cocriação sempre foi a base da estratégia, porque é ouvindo diretamente as comunidades que conseguimos construir materiais consistentes”, afirmou Maíra em comunicado da UNICEF.
Identidade e combate ao apagamento
Sarah Nascimento, coordenadora de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e de Terreiro do MIR, destacou a necessidade de uma abordagem que reconheça as crianças como sujeitos de direitos, rompendo com o olhar adultocêntrico que muitas vezes invisibiliza a violência.
Para ela, crianças quilombolas e de terreiros enfrentam processos de apagamento que impactam diretamente suas identidades. “Há um conjunto de violências integradas que empurram essas crianças para a margem, desconstruindo sua autoestima e relegando-as a uma vida de iniquidades”, explicou.
Os dois novos cadernos do PIA serão publicados ainda em 2025 e estão alinhados a políticas nacionais como o Plano Nacional de Educação 2024-2034, que prevê ações afirmativas e antirracistas, além das diretrizes para a educação escolar quilombola e para as relações étnico-raciais.