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África do Sul condena política dos EUA que prioriza refugiados brancos

Decisão de Washington de dar prioridade a afrikaners no programa de refúgio é contestada pelo governo sul-africano, que rejeita acusações de perseguição racial
Ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola.

Ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola.

— Rodger Bosch/AFP

31 de outubro de 2025

O governo da África do Sul criticou nesta sexta-feira (31) a decisão dos Estados Unidos de priorizar brancos sul-africanos na admissão de refugiados. Pretória, capital administrativa do país, afirmou que a medida se baseia em alegações “amplamente desacreditadas” de perseguição contra essa minoria no país.

A crítica sul-africana sucede o anúncio da administração Trump, na quinta-feira (30), de uma redução na cota anual de refugiados para 7.500 vagas. O novo teto, válido para o ano fiscal de 2026, representa uma mudança na política de admissão de refugiados do país, que sob a gestão de Joe Biden acolheu mais de 100 mil pessoas por ano.

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Um memorando da Casa Branca detalha a nova política. O documento afirma que as vagas de admissão “serão divididas principalmente entre afrikaners da África do Sul (…) e outras pessoas que sofreram discriminação ilegal ou injusta em seus respectivos países de origem”.

Afrikaners são os descendentes dos primeiros colonos europeus na África do Sul. O presidente Donald Trump já havia oferecido status de refugiado a esse grupo em maio. Um primeiro grupo de cerca de 50 pessoas foi transportado aos EUA em um avião fretado.

Trump afirmou que os afrikaners fogem de uma “situação terrível” e usou o termo “genocídio” para descrever o cenário, uma acusação que muitos consideram sem fundamento.

Resposta da África do Sul

O Ministério das Relações Exteriores da África do Sul rebateu a justificativa de Washington em um comunicado. A pasta declarou que o foco dos EUA nos sul-africanos brancos “repousa sobre uma premissa factualmente imprecisa”.

“A alegação de um ‘genocídio branco’ na África do Sul é amplamente desacreditada e não apoiada por evidências confiáveis“, disse o ministério.

O comunicado sul-africano também citou uma carta aberta de dezenas de membros da comunidade afrikaner que rejeitam a “narrativa que retrata os afrikaners como vítimas de perseguição racista”. O governo sul-africano acrescentou que misturar migração voluntária com asilo para refugiados é uma “séria descaracterização” que prejudica os sistemas internacionais de proteção a pessoas perseguidas.

Os brancos representam 7,3% da população da África do Sul. Segundo dados citados no documento, eles possuem dois terços das terras agrícolas e, em média, ganham três vezes mais que os sul-africanos negros. Governos liderados por afrikaners impuseram o sistema do apartheid, que negou direitos políticos e econômicos à população negra até sua abolição em 1994.

Tensão bilateral entre os EUA e África do Sul

A relação entre Pretória e Washington decaiu nos últimos meses. Em março, os EUA expulsaram o embaixador da África do Sul e, em agosto, impuseram tarifas de 30% sobre produtos sul-africanos. O governo sul-africano tenta negociar um acordo para evitar perdas de emprego em sua economia, que enfrenta uma taxa de desemprego de 33%.

Além da redução na cota de refugiados, a administração Trump eliminou o Status de Proteção Temporária (TPS) para cidadãos do Afeganistão, Haiti, Venezuela e vários outros países.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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