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África do Sul é excluída de reunião do G7 na França

Presidente Cyril Ramaphosa perdeu convite após ameaça dos Estados Unidos de boicote
Presidente da África do Sul e presidente do Congresso Nacional Africano (ANC) Cyril Ramaphosa.

Presidente da África do Sul e presidente do Congresso Nacional Africano (ANC) Cyril Ramaphosa.

— Michele Spatari/AFP

26 de março de 2026

A África do Sul foi excluída da reunião do G7 programada para junho na cidade francesa de Evian, após pressão dos Estados Unidos sobre o governo da França. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (26) pela presidência sul-africana.

Vincent Magwenya, porta-voz do presidente Cyril Ramaphosa, afirmou à AFP que a França retirou o convite devido à pressão do governo estadunidense. “Nos disseram que os Estados Unidos ameaçaram boicotar o G7 se a África do Sul fosse convidada”, declarou.

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O presidente francês Emmanuel Macron havia feito o convite pessoalmente a Ramaphosa durante a cúpula do G20 realizada na África do Sul em novembro de 2025.

As tensões entre os dois países se arrastam há meses. Donald Trump impôs tarifas de 30% sobre a maioria das exportações sul-africanas no ano passado, as mais altas para a África Subsaariana, embora a Suprema Corte dos EUA tenha posteriormente anulado a política tarifária do presidente americano.

A relação entre os países deteriorou-se em várias frentes. A África do Sul levou Israel à Corte Internacional de Justiça (CIJ) sob acusação de genocídio em Gaza, posição contrária aos interesses dos EUA, aliados de Israel. 

Leia mais: África do Sul apresenta dossiê sobre genocídio perpetrado por Israel em Gaza

Trump também criticou publicamente as políticas de justiça racial sul-africanas, criadas para enfrentar desigualdades históricas deixadas pelo apartheid, mas descritas pelo líder americano como discriminatórias contra brancos.

O presidente dos EUA fez declarações desacreditadas sobre um suposto “genocídio branco” na África do Sul e boicotou a cúpula do G20 em Joanesburgo em novembro. Desde entdo dos trabaão, o país foi excluílhos do G20, grupo que este ano tem os EUA na presidência rotativa.

Relação bilateral em xeque

Apesar do episódio, a presidência sul-africana afirmou que a exclusão não afetará as relações com a França. 

“Apesar de todos esses acontecimentos, a África do Sul permanece comprometida em se engajar de forma construtiva com os Estados Unidos. A relação diplomática entre EUA e África do Sul antecede a administração Trump e sobreviverá ao atual mandato da Casa Branca”, disse Magwenya.

No início do mês, a África do Sul convocou o novo embaixador dos EUA no país, Brent Bozell, para explicar “comentários pouco diplomáticos” sobre políticas raciais sul-africanas e decisões judiciais. 

Em seu primeiro discurso público, o enviado conservador classificou como “discurso de ódio” um cântico da era do apartheid, embora os tribunais sul-africanos tenham decidido que a expressão não constitui discurso de ódio e deve ser considerada no contexto da luta contra o domínio da minoria branca.

Leia mais: África do Sul nega acusações de ‘genocídio branco’ com dados oficiais

O embaixador pareceu recuar depois, afirmando que o governo dos EUA respeita a independência e as conclusões do Judiciário sul-africano.

A África do Sul ainda não nomeou um substituto para Ebrahim Rasool, seu embaixador em Washington, expulso em março do ano passado após criticar o movimento “Make America Great Again” (MAGA) de Trump. 

O porta-voz da presidência sul-africana afirmou que Ramaphosa está “próximo de nomear o embaixador da África do Sul nos EUA, que fará parte da equipe atualmente em negociação com os americanos”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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