Um ataque ocorrido na noite da segunda-feira (8) deixou pelo menos 71 mortos na vila de Ntoyo, na província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo (RDC). Segundo autoridades locais e fontes de segurança, a ação aconteceu enquanto moradores participavam de um funeral. As informações são da Agence France-Presse (AFP).
De acordo com Macaire Sivikunula, responsável pelo setor de Bapere, onde está localizada a vila, a maioria das vítimas foi surpreendida durante a cerimônia. Samuel Kagheni, líder da sociedade civil local, informou que pelo menos 14 casas foram incendiadas e que algumas pessoas morreram queimadas, enquanto outras foram baleadas ao tentar fugir. Quatro pessoas ficaram feridas.
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Os agressores foram identificados como integrantes das Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo formado por rebeldes ugandeses que atua há décadas no leste da RDC e que em 2019 declarou lealdade ao Estado Islâmico.
Em agosto, a ADF já havia matado mais de 40 pessoas em diferentes localidades do setor de Bapere. Duas semanas antes, um ataque contra uma igreja católica em Komanda deixou dezenas de mortos, incluindo mulheres e crianças. Segundo levantamento da AFP, desde julho mais de 150 civis foram assassinados em ações da milícia nas províncias de Ituri e Kivu do Norte.
Disputa por território e recursos
Há mais de 30 anos, a região oriental da RDC, rica em minérios, é palco de disputas entre grupos armados e, em alguns momentos, de intervenções de potências estrangeiras. Além de ataques contra civis, a ADF tem ligação com o saque e contrabando de produtos agrícolas em territórios vizinhos, como Beni.
As províncias de Ituri e Kivu do Norte contam com operações conjuntas dos exércitos de Uganda e da RDC desde 2021. Apesar de não conseguirem impedir a escalada da violência contra a população, as tropas ampliaram a segurança em estradas que ligam a região à Uganda.
O território de Bapere, onde ocorreu o massacre, concentra jazidas de ouro que atraem milícias e grupos criminosos. Além da presença da ADF, Kivu do Norte abriga o M23, movimento apoiado por Ruanda, que retomou as armas em 2021 e controla extensas áreas da região.
Embora evite avançar para as zonas patrulhadas por militares ugandeses, o M23 soma-se, de acordo com a AFP, à complexa rede de atores armados que disputam influência no leste congolês, aumentando a vulnerabilidade da população local.