Uma série de ataques no Mali resultou na morte do ministro da Defesa, Sadio Camara, e ampliou a crise de segurança no país. A ofensiva ocorreu no fim de semana e atingiu regiões próximas à capital, Bamako, além de áreas estratégicas no norte.
O episódio colocou em xeque a capacidade de controle do governo militar e abriu um cenário de incerteza política.
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Segundo informações oficiais, Camara morreu após um ataque com carro-bomba contra sua residência na cidade de Kati, base central do poder militar. Ele chegou a reagir à ação, mas não resistiu aos ferimentos. Familiares também morreram no ataque.
A ofensiva começou com ações coordenadas de grupos rebeldes tuaregues da coalizão Frente de Libertação de Azawad (FLA) e pelo Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), grupo jihadista ligado à Al-Qaeda.
Os ataques miraram cidades e áreas próximas a Bamako. Após dois dias de confrontos, houve redução de combates na capital e em Kati, com retomada parcial de atividades civis e circulação de pessoas.
Apesar da diminuição dos confrontos, forças militares mantêm presença em pontos estratégicos. Autoridades relatam operações de varredura e pedem apoio da população para identificar suspeitos.
No norte do país, rebeldes afirmaram ter assumido controle da cidade de Kidal, área que possui histórico de disputa entre grupos armados e o Estado.
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Reações e desdobramentos
A oposição, por meio da Coalizão de Forças pela República (CFR), afirmou em nota que o Mali está “em perigo”. A junta “prometeu aos malineses segurança, estabilidade e o retorno do Estado”, disse a coalizão. Após a ofensiva do fim de semana, ninguém pode afirmar seriamente que o Mali está pacificado ou seguro, acrescentou o grupo.
A Aliança dos Estados do Sahel (AES), que reúne Mali, Burkina Faso e Níger, denunciou os ataques como “um complô monstruoso apoiado pelos inimigos da libertação do Sahel”.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou os “atos de violência” no Mali e pediu “apoio internacional coordenado para enfrentar a ameaça crescente do extremismo violento e do terrorismo no Sahel”. A União Europeia também condenou os ataques.
Mali vive há mais de uma década em meio à violência. Segundo a agência de notícias AFP, analistas afirmam que os ataques representam o maior desafio aos governantes do país desde a ofensiva de março de 2012, contida pela intervenção das forças francesas, que já não atuam na região.
O país rompeu laços com a França e se aproximou da Rússia desde o golpe de Estado em 2020.
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