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Banco Africano de Energia lança financiamento de R$ 52,2 bilhões com foco em Nigéria, Angola e Líbia

Instituição financeira continental inicia operações com capital inicial de R$ 2,6 bilhões; sede provisória fica na Nigéria e primeiros projetos devem ser selecionados até junho de 2026
Lançamento do Banco Africano de Energia, em sua sede provisória na Nigéria.

Lançamento do Banco Africano de Energia, em sua sede provisória na Nigéria.

— Reprodução/Redes Sociais

4 de fevereiro de 2026

O Banco Africano de Energia anunciou a primeira fase de seu plano de financiamento, no valor de R$ 52,2 bilhões. A informação foi divulgada por Farid Ghezali, secretário-geral da Organização dos Produtores Africanos de Petróleo (APPO), durante a 9ª Cúpula Internacional de Energia da Nigéria 2026, em Abuja.

Ghezali afirmou que os recursos iniciais terão como alvo três países: Nigéria, Angola e Líbia. O foco será em projetos nas áreas de upstream (fases iniciais do projeto), midstream (fases intermediárias) e downstream (fases finais) do setor de petróleo e gás. O objetivo declarado é desbloquear projetos paralisados e melhorar a segurança energética regional.

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A instituição inicia suas operações com um capital de “semente” de R$ 2,6 bilhões. Este montante representa 10% da meta de capital social estabelecida, que é de R$ 26,1 bilhões. Vários países já realizaram aportes por meio da Corporação de Investimento em Energia da África (AEICORP). A Costa do Marfim contribuiu com mais de R$ 104 milhões em dezembro de 2025. Nigéria, Angola e Gana também efetuaram contribuições.

A Nigéria, como sede provisória do banco, posiciona-se no centro da nova arquitetura financeira. A expectativa é que a presença da instituição fortaleça a confiança dos investidores no país e acelere o desenvolvimento de projetos nacionais de gás, refino e petroquímica.

O secretário-geral da APPO destacou um duplo desafio para o setor energético africano. Primeiro, os altos custos de empréstimo, que variam de 15% a 20% no continente, contra 4% a 6% na Ásia. Segundo, a perda anual de valor agregado, estimada em R$ 78,3 bilhões, devido à exportação de matéria-prima não processada.

Ghezali citou que cerca de 70% do petróleo cru e 45% do gás natural africanos são exportados em estado bruto. O banco surge como uma ferramenta para reter mais valor no continente através do financiamento de projetos que avancem na cadeia de transformação.

Próximos passos operacionais e governança

O banco recebeu sua sede provisória na Nigéria no dia 2 de fevereiro de 2026. A instituição agora entra em uma fase de preparação operacional. As próximas etapas críticas são a instalação do conselho de administração e o recrutamento da equipe executiva.

O cronograma oficial prevê o início das atividades de financiamento em junho de 2026. Este prazo depende da conclusão de uma série de procedimentos administrativos e institucionais pelos estados membros da APPO e pelos parceiros técnicos envolvidos.

A atuação do banco cobrirá toda a cadeia de valor do setor energético. Isto inclui projetos de exploração, produção, transformação e comercialização de hidrocarbonetos. A instituição também terá a capacidade de financiar iniciativas de energias renováveis.

Ghezali apresentou um plano de expansão em três fases. A Fase 2, prevista para 2027, incluirá a criação de um hub regional de comércio de gás. A Fase 3, com horizonte em 2030, tem a ambição de transformar o banco em uma plataforma financeira de R$ 1,1 trilhão para apoiar a transição energética continental.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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