O Banco Africano de Energia anunciou a primeira fase de seu plano de financiamento, no valor de R$ 52,2 bilhões. A informação foi divulgada por Farid Ghezali, secretário-geral da Organização dos Produtores Africanos de Petróleo (APPO), durante a 9ª Cúpula Internacional de Energia da Nigéria 2026, em Abuja.
Ghezali afirmou que os recursos iniciais terão como alvo três países: Nigéria, Angola e Líbia. O foco será em projetos nas áreas de upstream (fases iniciais do projeto), midstream (fases intermediárias) e downstream (fases finais) do setor de petróleo e gás. O objetivo declarado é desbloquear projetos paralisados e melhorar a segurança energética regional.
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A instituição inicia suas operações com um capital de “semente” de R$ 2,6 bilhões. Este montante representa 10% da meta de capital social estabelecida, que é de R$ 26,1 bilhões. Vários países já realizaram aportes por meio da Corporação de Investimento em Energia da África (AEICORP). A Costa do Marfim contribuiu com mais de R$ 104 milhões em dezembro de 2025. Nigéria, Angola e Gana também efetuaram contribuições.
A Nigéria, como sede provisória do banco, posiciona-se no centro da nova arquitetura financeira. A expectativa é que a presença da instituição fortaleça a confiança dos investidores no país e acelere o desenvolvimento de projetos nacionais de gás, refino e petroquímica.
O secretário-geral da APPO destacou um duplo desafio para o setor energético africano. Primeiro, os altos custos de empréstimo, que variam de 15% a 20% no continente, contra 4% a 6% na Ásia. Segundo, a perda anual de valor agregado, estimada em R$ 78,3 bilhões, devido à exportação de matéria-prima não processada.
Ghezali citou que cerca de 70% do petróleo cru e 45% do gás natural africanos são exportados em estado bruto. O banco surge como uma ferramenta para reter mais valor no continente através do financiamento de projetos que avancem na cadeia de transformação.
Próximos passos operacionais e governança
O banco recebeu sua sede provisória na Nigéria no dia 2 de fevereiro de 2026. A instituição agora entra em uma fase de preparação operacional. As próximas etapas críticas são a instalação do conselho de administração e o recrutamento da equipe executiva.
O cronograma oficial prevê o início das atividades de financiamento em junho de 2026. Este prazo depende da conclusão de uma série de procedimentos administrativos e institucionais pelos estados membros da APPO e pelos parceiros técnicos envolvidos.
A atuação do banco cobrirá toda a cadeia de valor do setor energético. Isto inclui projetos de exploração, produção, transformação e comercialização de hidrocarbonetos. A instituição também terá a capacidade de financiar iniciativas de energias renováveis.
Ghezali apresentou um plano de expansão em três fases. A Fase 2, prevista para 2027, incluirá a criação de um hub regional de comércio de gás. A Fase 3, com horizonte em 2030, tem a ambição de transformar o banco em uma plataforma financeira de R$ 1,1 trilhão para apoiar a transição energética continental.