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Benim amplia buscas por militares após tentativa de golpe e recebe apoio de países da África Ocidental

Tropas regionais são mobilizadas após a ofensiva contra o presidente Patrice Talon; governo confirma mortos e fuga do líder do levante
Esta captura de vídeo, extraída de imagens divulgadas pela Benim TV em 7 de dezembro de 2025, mostra soldados do "Comitê Militar para a Refundação" (CMR) aparecendo na televisão estatal em Cotonou, após uma suposta tentativa de golpe de Estado no país da África Ocidental.

Esta captura de vídeo, extraída de imagens divulgadas pela Benim TV em 7 de dezembro de 2025, mostra soldados do "Comitê Militar para a Refundação" (CMR) aparecendo na televisão estatal em Cotonou, após uma suposta tentativa de golpe de Estado no país da África Ocidental.

— Handout/Benin Tv/AFP

9 de dezembro de 2025

As Forças Armadas do Benim ampliaram, nesta segunda-feira (8), as buscas por soldados envolvidos na tentativa de golpe que abalou o país no fim de semana e deixou mortos, segundo autoridades militares. Pelo menos uma dezena de suspeitos já tinha sido presa, e todos os reféns foram libertados, incluídos dois oficiais de alta patente capturados durante a ação.

O ataque, realizado no domingo (7), levou um grupo de militares a anunciar pela televisão que o presidente Patrice Talon havia sido deposto. Horas depois, o próprio Talon apareceu em rede nacional afirmando que a situação estava “completamente sob controle”.

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Entre as vítimas fatais está a esposa do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Bertin Bada, morta durante os confrontos entre militares leais e golpistas na residência presidencial.

Embora prisões tenham sido efetuadas, autoridades afirmam não ter clareza sobre o total de envolvidos e admitem que vários militares fugiram para áreas rurais. “A busca continua”, disse uma fonte das Forças Armadas à Agence France-Presse (AFP).

O tenente-coronel Pascal Tigri, apontado como líder do levante, permanece foragido. Dois oficiais, o chefe do Exército, Abou Issa, e o coronel Faizou Gomina, foram tomados como reféns, mas libertados durante a madrugada.

Apoio externo e intervenção de países vizinhos

O Benim pediu ajuda urgente à Nigéria, que afirmou no domingo (7) à noite ter realizado ataques militares em Cotonou e enviado tropas. O bloco regional Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS) também anunciou apoio militar, com o envio de soldados de Gana, Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa para ajudar o governo a “preservar a ordem constitucional”.

Uma reunião do ECOWAS marcada para esta segunda-feira em Abidjan foi cancelada. O bloco já havia ameaçado intervir durante o golpe no Níger em 2023, mas não agiu na ocasião.

A mobilização ocorre em meio a uma onda de rupturas políticas no oeste africano, após golpes militares bem-sucedidos em Níger, Burkina Faso, Mali, Guiné e Guiné-Bissau.

Em nota, o presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, demonstrou preocupação com a proliferação de golpes militares e tentativas de golpe em partes da região. Segundo declaração, tais ações ameaçam a estabilidade do continente, “ameaçam ganhos democráticos e encorajam atores militares a agir fora dos mandatos constitucionais”.

Youssouf aponta que tentativas de golpes, como aconteceu em Benim, corroem a confiança dos cidadãos nas instituições públicas e enfraquecem a autoridade do Estado, colocando em perigo a segurança coletiva.

Contexto político e reação da oposição

Patrice Talon, de 67 anos, deve deixar o poder em abril após dois mandatos, o máximo permitido pela constituição. Seu sucessor designado, o ministro das Finanças Romuald Wadagni, é considerado favorito para a eleição presidencial de abril.

O principal partido de oposição, Democratas, foi excluído da votação sob alegação de que seu candidato não tinha patrocinadores suficientes. Em comunicado, o partido disse que “rejeita qualquer tomada de poder pela força e condena veementemente esses atos que não honram nosso país”. O texto também afirmou que o evento “destaca a necessidade de todos os atores políticos em nosso país priorizarem o diálogo”.


O Benim, que enfrenta violência jihadista no norte, tem um histórico de golpes e tentativas de golpe desde sua independência da França em 1960. Talon, embora reconhecido por impulsionar o crescimento econômico, é acusado por críticos de autoritarismo em um país antes elogiado por seu dinamismo democrático.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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