A meta de erradicar a fome no mundo até 2030 se distancia cada vez mais, segundo o Índice Global da Fome 2025 (GHI 2025 em sigla inglesa), lançado nesta terça-feira (11) em Adis Abeba, na Etiópia. O relatório aponta que os níveis de subnutrição, atraso no crescimento infantil e mortalidade infantil permanecem muito aquém das metas internacionais, comprometendo o direito humano à alimentação para milhões de pessoas.
O documento identifica sete países com níveis de fome considerados alarmantes: Burundi, República Democrática do Congo, Haiti, Madagascar, Somália, Sudão do Sul e Iêmen. Conflitos armados, mudanças climáticas, fragilidade econômica e desengajamento político aparecem como fatores que agravam a situação alimentar na África e em outras regiões.
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As violências armadas estiveram na origem de 20 crises alimentares que afetaram cerca de 140 milhões de pessoas no último ano. O índice destaca que os conflitos continuam sendo a força mais destrutiva para a segurança alimentar em diversas regiões do mundo. A ajuda humanitária sofreu queda drástica no período, enquanto os gastos militares aumentaram, fragilizando a resposta global à fome.
Mantido o ritmo de progresso observado desde 2016, um nível baixo de fome em escala global só poderá ser alcançado em 2137, daqui a mais de um século. A constatação evidencia a necessidade de acelerar políticas públicas efetivas para reverter o quadro.
África concentra grande parcela da insegurança alimentar
Moses Vilakati, comissário da União Africana para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Meio Ambiente Sustentável, afirmou durante o lançamento que os países africanos estão atrasados na implementação do Programa Detalhado para o Desenvolvimento da Agricultura Africana (PDDAA).
O programa estabelecia metas de erradicação da fome, redução da pobreza pela metade, triplicação do comércio agrícola intra-africano e fortalecimento da resiliência até 2025.
“Segundo o relatório de 2025 da FAO, quase 300 milhões de pessoas no continente sofrem de insegurança alimentar. Isso está de acordo com o balanço bienal do PDDAA, que mostra que nenhum Estado-membro estava no caminho para alcançar a meta fome zero até 2025″, declarou Vilakati. O continente gasta até 100 bilhões de dólares por ano em importações de alimentos, acrescentou.
Vilakati classificou a fome como um problema complexo, mas inteiramente solucionável. Ele convocou os governos africanos a renovarem o compromisso com a meta fome zero por meio de reformas políticas, investimentos mais direcionados e mecanismos de responsabilização fortalecidos.
“Devemos consolidar os sistemas agroalimentares, investir na resiliência climática, melhorar a produtividade dos solos, ampliar a proteção social e as redes de segurança, empoderar mulheres e jovens nas cadeias de valor e promover a inovação para aumentar a produtividade e o acesso aos mercados, enquanto reduzimos perdas e desperdícios de alimentos“, concluiu.