Na quinta-feira (19), a principal mina de coltan na República Democrática do Congo (RDC) desabou e deixou pelo menos 16 mortos, segundo a agência AFP. A mina de Rubaya é controlada pelo grupo armado M23, supostamente apoiado por Ruanda.
Desde seu ressurgimento, em 2021, o M23 tomou vastas regiões do leste da RDC, uma área rica em recursos minerais. A mina de Rubaiyat é parte desse processo. Localizada na província de Kivu do Norte, a mina foi tomada pelo grupo rebelde em abril de 2024.
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O avanço do M23 na região intensificou um conflito de mais de três décadas e milhões de vítimas, levando caos e instabilidade à região rica em minerais fundamentais para a produção de eletrônicos.
A mina de Rubaiyat produz cerca de 15% a 30% de toda a oferta de coltan do mundo, essencial na fabricação de produtos como notebooks e smartphones.
No momento do desabamento, ocorrido na manhã da quinta-feira (19), cerca de 131 mineradores estavam no local, de acordo com Emmanuel Ndizeye, representante local apontado pelo M23. Do total de trabalhadores, 111 foram resgatados. Os corpos de 16 vítimas foram recuperados, sendo que quatro seguem desaparecidos, segundo informações da agência AFP.
De acordo com especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU), o M23 estabeleceu uma administração paralela à RDC para regular a operação da mina desde que ela foi tomada pelo grupo.
Estima-se que o M23 consiga cerca de US$ 800 mil (R$ 4,396 bilhões) com a mina devido a um a taxa de US$ 7 (R$ 38,46) por quilo na produção e venda de coltan.
No entanto, isso representa apena uma fração do lucro do M23 diante das taxas impostas ao comércio nas regiões sob seu controle.
Os especialistas da ONU também acusam Ruanda — que nega que forneça apoio militar ao M23 — de usar o grupo armado para explorar as riquezas minerais da RDC.
Além de ter de 60% a 80% do coltan conhecido do mundo, a região leste da RDC tem vastas reservas de ouro e estanho. Apesar das reservas, diversas empresas deixaram de mineração deixaram a região devido ao avanço do M23.