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Costa do Marfim recupera tambor histórico saqueado pela França

Artefato cultural foi saqueado pelas tropas francesas em 1916 e agora passa a integrar o Museu das Civilizações, em Abidjan
A ministra da Cultura da Costa do Marfim, Françoise Remarck, discursou na ocasião da devolução do tambor Djidji Ayokwe, também conhecido como tambor falante, em 13 de março de 2026.

A ministra da Cultura da Costa do Marfim, Françoise Remarck, discursou na ocasião da devolução do tambor Djidji Ayokwe, também conhecido como tambor falante, em 13 de março de 2026.

— Issouf Sanogo/AFP

15 de março de 2026

O “tambor falante” Djidji Ayokew, saqueado por tropas francesas em 1916, retornou à Costa do Marfim nesta sexta-feira (13). A devolução marca mais um capítulo no processo de repatriação de artefatos africanos retirados durante o período colonial.

A devolução oficial do artefato foi formalizada por Paris em 20 de fevereiro. O retorno foi aprovado pelo Parlamento francês após a votação de uma lei específica que autorizou a retirada do objeto das coleções do museu nacional francês. A medida integra um processo de restituição de objetos a países africanos iniciado em 2017.

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O objeto chegou a Abidjan, principal cidade do país, a bordo de um avião fretado especialmente para a ocasião e foi transportado dentro de uma grande caixa de madeira com a inscrição “frágil”.

A ministra da Cultura da Costa do Marfim, Françoise Remarck, classificou o momento como histórico e destacou a emoção da recepção no aeroporto. No local, o objeto foi recebido  por integrantes da comunidade Ébrié que celebraram o retorno com cantos e batidas de tambor. 

O artefato será exibido no Museu das Civilizações, em Abidjan, recentemente renovado.

Símbolo cultural e sagrado

O tambor de madeira tem mais de três metros de comprimento e pesa cerca de 430 quilos. Tradicionalmente, era utilizado pela comunidade Ébrié para transmitir mensagens, alertar sobre perigos, mobilizar moradores para conflitos ou convocar a população para cerimônias.

O chefe da aldeia Ébrié, Aboussou Guy Georges Mobio, afirmou que o retorno representa um momento de memória para a comunidade. “Estamos felizes e aliviados em saber que esta peça sagrada da nossa cultura está de volta à sua terra natal”, disse à agência francesa AFP.

Apreendida em 1916, a peça foi enviada à França em 1929 e posteriormente exibida em Paris. Somente no final de 2018 a Costa do Marfim solicitou oficialmente a devolução do Djidji Ayokew, juntamente com outras 148 obras de arte saqueadas durante o período colonial. Senegal e Benin também pediram a repatriação de seus tesouros culturais.

Em 2020, o Parlamento francês aprovou uma lei que prevê a devolução permanente ao Benin de 26 artefatos dos tesouros reais de Daomé.

Museus, instituições e colecionadores na Europa e nos Estados Unidos têm sido pressionados a devolver esses patrimônios, em meio ao avanço dos processos de restituição de artefatos culturais retirados de antigas colônias.

O Djidji Ayokew é um dos centenas de objetos que a França prepara para enviar de volta ao continente africano. A previsão é que o processo seja acelerado com a aprovação de uma nova legislação que autoriza repatriações em maior escala.

Com informações da Agence France-Presse (AFP).

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  • Thayná Santana

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